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7 de febrero de 2013

FILOSOFIA DO DIREITO, uma introdução crítica (1996)




 
Resenha


WARAT, Luis Alberto; PÊPE, Albano Marcos Bastos.
FILOSOFIA DO DIREITO: UMA INTRODUÇÃO CRITICA. São Paulo: Editora Moderna, 1996.1





FILOSOFIA DO DIREITO, uma introdução crítica,
obra conjunta de Warat e Pêpe, é um livro importante, pois ao mesmo tempo que instiga a reflexão sobre o sentido e o papel da Filosofia do Direito na atualidade, apresenta-se de forma clara e didática, tornando-se acessível para todos os interessados no tema.

O livro cuida, basicamente, de apresentar a chamada Filosofia do Direito, tarefa difícil esta, devido à complexidade e às imprecisões que acompanham o assunto desde a sua origem. No entanto, os autores superam estes problemas demonstrando que existe uma visão ingênua sobre o tema, que é preciso desvendar, para que se possa conhecê-la de forma mais precisa.

Propondo-se a tratar da Filosofia do Direito como um conhecimento fundado na história e determinado pela história (p.7), porém sempre aliada a uma perspectiva mais ampla, ou seja, a de suas re-lações com o Direito, a Moral, a Ética, a Política e o Social, o livro levanta a me-mória jusfilosófíca de algumas das mais importantes manifestações para Filosofia do Direito. Começando pelo jusnaturalismo, resgata a importância do modelo hobbesiano e das idéias de Kant, bem como as contribuições de Wittgenstein e da filosofia da linguagem, para a formação do conhecimento sobre o Direito.

Do ponto de vista do pensamento jurídico, ou considerando a Filosofia do Direito do seu interior, destaca-se o trabalho de Hans Kelsen, um dos pontos fundamentais da obra de Warat e Pêpe, considerando o rigor e a clareza com que as idéias do autor austríaco foram tratadas. Logo após, encontramos referências à Teoria Crítica e os seus limites, enquanto Filosofia do Direito. O livro conta, ainda, com um capítulo acerca das relações entre o Direito e a Modernidade, remetendo-se à obra habermasiana e a algumas idéias de Max Weber.

Por tudo isto, Warat e Pêpe deram uma grande contribuição a todos aqueles que se interessam por este tema, mas especialmente àqueles que agora começam seus trabalhos nesta área, pois podem contar com um livro sério e profundo e, ao mesmo tempo, muito didático que traz alguns comentários bibliográficos para quem deseja continuar neste caminho.

Resenha de Cecília Cabalero Lois, doutoranda CPGD/UFSC e Profâ Assistente da UFSC.

12 de abril de 2012

Albano x Warat


Albano Marcos Bastos Pepe

Conocí a Albano hace 31 años atrás cuando el estaba cursando su maestría en Filosofía en la Universidad Federal de Santa María.

Fue mi primer orientador en el Brasil y desde entonces tejimos una sólida amistad intercambiando sentimientos y compartiendo interminables diálogos filosóficos. Vimos infinidad de cursos juntos. Escribimos un libro a cuatro manos. Y a pesar de su formación como filósofo, estuvo siempre vinculado a la vida académica de los cursos de derecho, principalmente a nivel de posgrado.

Su tesis de doctorado finalmente fue en Derecho. Y digo finalmente porque tuvo una larga discusión con la mentalidad burocrática mediocre de las universidades que entendían que un graduado en filosofía y mestre en filosofía no podía ser doctor en Derecho.

Albano terminó ganando a la burocracia probando que podía ser, ya que su contribución a la filosofía del derecho de las ideas fue y sigue siendo de enorme importancia.

Intuitivamente, Albano fue un profesor contra-universitario y a su modo hizo una contrafilosofía académica. Pero siempre prefirió hacer filosofía en un café con un vaso de whisky en la mano que en las aulas burocrático-militarizadas de las facultades de Derecho en el período del régimen autoritario Brasilero.

Hubo un grupo de profesores que en los años duros del régimen militar utilizaron la filosofía como arma antitotalitaria. Ese grupo de profesores enseñó a la juventud brasilero a mirar la vida, la sociedad y el derecho de un modo diferente a los modos de la pinguinización militarizante que dominaba la enseñanza en las facultades de Derecho.

Fuimos presos varias veces después de terminar nuestras aulas, pero por suerte seguimos vivos.

Ese grupo de juristas que construyeron a la democratización del país, aceptaron a Albano como uno más, a punto que inclusive hoy en día mucha gente piensa que Albano está formado en Derecho. Pero Albano está formado en Derecho por la vida.

Existen filósofos que yo llamo de botiquín, filósofos con un vaso de whisky en la mano, como sería hoy Onfray.

Entre los filósofos con el vaso en la mano, sin duda, para mí, Albano es el mejor.

Por eso, sin ninguna duda lo presento aquí, por ser una de las figuras claves de la Casa Warat y garantía de su futuro. Sin la locura surrealista de Albano, la Casa Warat como Universidad Popular Latinoamericana, sería imposible.


1/6/2009 -  LAW

4 de julio de 2010

Retomando dialogo con AlbanoRetomando los dialogos contigo


Debo decirte, que a raiz de mi enfermedad descubri los fuertes lazos que nos unen siendo iguales y tan diferentes.
Comparto tu apreciacion que somos buenos lectores uno del otro. Y como yo hago con muchos autores los uso, uso sus conceptos, que despues de usarlos ya no son lo mismo.
Con nosotros dos pasa lo mismo despues que usas un concepto mio ya no es el mismo y viceversa. La lectura del otro siempre es compleja , te refleja. Pero lo importante es encontrar las razones de un texto desde el corazón.
Un abrazo con afecto
Warat

12 de abril de 2010

Albano II


Palavras de Albano II


Caro mio,
Bom te ouvir, bom saber que retomas o diálogo com teu corpo, com teu habitat primevo. A natureza põe e repõe seguindo um movimento que nos é estranho, posto que estamos viciados a raciocinar baseados numa lógica que aprendemos em academias.
Nos olvidamos de escutar as mensagens emitidas pelos nossos corpos no contato íntimo com a vida. Nos olvidamos de escutar e de dialogar com o outro animal que nos habita desde que nascemos.
Os Xamãs falam sobre tais animais que existem em cada um de nós. Sendo que a partir deles, os Xamãs se comunicam com os demais animais que não da nossa espécie. Bukowski (me lembrou a Gabe) falava de um pássaro azul que o habitava, mas que ele o calava através da loucura, da embriaguês e da droga. Creio que ele, com o seu destino trágico, não conseguiria conviver com o pássaro azul que nele habitava.

Este animal que vive em nós, querido amigo, se exprime muitas vezes nas metáforas que criamos ou reproduzimos. Você, com sua águia, eu com meu elefante, e assim outros e tantos outros que se quisermos podemos nos lembrar, tratamos de vínculos com animais não humanos, pois eles estão em nossas raízes, nas sementes que são plantadas por esta mesma e única natureza que nos criou, que possibilitou nossa existência, seja Warat, seja Albano, seja quem for.

Mas sempre deixamos de lado este diálogo interior, intimista e único, que nos permite não só vivermos o momento único de nos vermos ao longo da trajetória existencial que produzimos, como também com o animal que nunca tentamos desvelar para nós mesmos e assim recepcioná-lo em nossa finita caminhada em Gaia, que nos faz existir.

Nos perdemos com o nosso excesso de “viver humanamente” conforme os preceitos civilizatórios que nos envolvem. Abandonamos a “reserva selvagem” (termo que usas belamente) que é nosso habitat primevo, e, às vezes, pensamos que ela se manifesta tão somente na presença de um outro que julgamos amoroso, apaixonado. Não, caro mio, entendo que este lugar é único em cada um de nós e não pela motivação do outro que despertaria tal “reserva”. Tal lugar é como se fora o éden de cada um de nós, onde nossos elementais se manifestam de modo que apenas nós poderemos reconhecê-lo.

Por não convivermos com a riqueza deste mundo interior, tentamos preencher nossa “solidão” com os adereços colocados a nossa disposição nos shoppings da vida. Assim como também com pessoas que pensamos egoistamente que poderiam preenchê-la (filhos, colegas, amantes, amigos), quando tão somente eles podem caminhar ao nosso lado, mas nunca fazerem ou complementarem aquilo ao qual nos destinamos.

O amor, nada mais é do que um gesto, generoso ou egoísta que temos em relação ao outro e que permite o convívio dos seres da nossa espécie. Os demais animais não utilizam tal subterfúgio, apenas convivem uns com os outros, em harmonia ou desarmonia, cumprindo papéis únicos de cada espécie, sem com isso negar as outras espécies dos habitats comuns a todos. A solidão requer o convívio, mas nunca a alienação no outro.

Caro mio, a natureza mais uma vez te põe frente a frente com tua “reserva selvagem”. Desta vez faça as incursões necessárias a ti mesmo, construa a cartografia singular, invente a gramática que te ponha em contato com o ser que te habita e que te define verdadeiramente, pois só ele, apenas ele, estará ao teu lado quando saires deste plano sublunar. Aprenda a conviver com você mesmo, porque da cultura e civilização humanos já sabes em excesso.
Ciao


Albano

9 de abril de 2010

Palavras de Albano


De Albano pra Luis:


Caro mio,

Bom escutá-lo mais uma vez e assim preservar os contatos aos quais estamos tão habituados. Em nossa conversa coloquei a metáfora do casulo enquanto rito de passagem da lagarta para a borboleta.

Com esta imagem natural, vejo um segundo nascimento de um ser mutante, como o são todos os seres vivos. Assim, também temos a chance de renascermos (sem conotações da tradição cristã oficial) em nossa caminhada neste plano sublunar e com sapiência sabermos nos desvencilhar do fardo que carregamos no mais das vezes por imposições do processo civilizatório que nos “educa”, que produz nossa “subjetividade”.
Poucos tem a lucidez da necessidade de partilhar suas próprias mutações pois alienados da sua condição de “ser”. Vivem como entes ausentes de sua condição existencial de suas finitudes e do imenso potencial que existe neles, justo por serem finitos.

Pense comigo: os seres eternos não mudam, são iguais a si mesmos ad aeternum. Não são surpreendidos pelas emoções, pelas circunstâncias, pelo passar do tempo. Imagine-se eterno, burocrata do mesmo, do desde sempre. Terrível, não é mesmo?

Somos finitos, portanto mutantes e, isto significa que podemos e devemos aceitar as dores, as privações e as desventuras daquelas coisas as quais estávamos acostumados, como se fossem “eternas”. As dores, são como o grito lancinante do recém-nascido ao absorver a primeira golfada de ar em seus pulmões, que dilata-se dolorosamente para tornar-se apto a conviver com o elemental ar. Nascer, é provavelmente a primeira das nossas mutações ao perdermos toda a segurança que o útero materno nos ofereceu. Mas não poderíamos continuar vivendo como fetos, pois, como nos ensinou Aristóteles, a potencia já se constitui como o devir para o ato.

Talvez devêssemos entender a partir daí a idéia do renascimento, ou seja, das mutações que acontecem para que cheguemos a plenitude dos nossos atos enquanto seres finitos. Da mutação primeira ( do senciente ao consciente) nada lembramos; das outras, e são tantas, nos “olvidamos”, pois alienados pelo processo civilizatório que sempre nos define e nomeia.

Mas, querido amigo, ocorrem mutações que devem ser existenciadas profundamente,pois delas não podemos nos alienar. Não mais podemos repetir com o Poeta: “quem sou, não sei. Quem fui, morri-o”. Creio, sem pretensões oraculares, que a mutação que agora vives, exige participação ativa para este momento “casulo” que experimentas. Serás, inevitavelmente um “outro”, sendo o mesmo, pois as raízes que alimentam tua vida rizomática serão as mesmas; a cartografia é que será outra.
Acredito em ti amado amigo.
Ciao

Albano

21 de marzo de 2010

Carto de Albano II


Caro mio

Como foi importante haveres conversado comigo há poucos dias. Me aliviou a alma escutar tua voz amiga. Como sabes, no plano sublunar as noites são sucedidas pelas manhãs e o escuro cede ao claro, ao solar.

Creio que estás a atravessar uma longa noite, dolorosa e aparentemente sem sentido, no entanto viver é estar inc luso num universo de sentidos que nem sempre somos capazes de apreender, de compreender. Viver não é uma inutilidade, uma mera casualidade. A vida cósmica da qual nos originamos (lembre-se que somos frutos dos elementais de quem os alquimistas muito se aproximaram) traz consigo sentidos ao Caos que nos dá origem, a todos nós, a todas as formas de existência, das larvas vulcânicas aos seres humanos, das galaxias aos míseros planetas (como é o caso de Gaia, nossa morada planetária). Tudo tem sentido no não sentido, visto que nossa compreensão é limitada.

Creio que é chegada a hora de seres aquela águia da tua metáfora, estás no cume das mais altas montanhas graças ao teu amor pela vida, com o preço de haveres esquecido da tua morada primeva: teu corpo. Este é um preço, como tantos outros por havermos nascido da espécie humana, este é o nosso legado, nosso único legado.Nossos legatários são todos os humanos que existiram, que existem e que venha m a existir. Poucos alcançam o cume, o limite; você alcançou, retirou os véus que encobrem o real, desvelou a realidade, isto tem um preço, saibas recepciona-lo como também saibas paga-lo.

Chegou o momento de arrancar as penas que permitiam o vôo livre, de quebrar o bico que sempre penetrou no Real. É chegado o momento de quietamente e humildemente libertar-se daquilo que foi tua liberdade circunstancial. Creio que, pacientemente deves deixar que novas penas emplumem teu corpo e que um novo bico surja. Nunca será como dantes, pois momento passado é momento passado.

A Natureza Mãe te oferece este novo movimento, quem sabe da borboleta no seu grande momento mutacional. Fique quieto, não esbreveje, não condene, não se arrependa, aceite-se simplesmente com as limitações que te são impostas (outras aconteceram e talvez nem tenhas percebido).

Casualmente escuto a Ave Maria de Gounold, algo trasncendente que alguém materializou para eternizar um momento dest e ser humano, pequeno e miserável no mais das vezes, no entanto, a Natureza recepcionou algo da sua criação como equilibrio estético e amoroso, creia nisto, pois sempre acreditasses que o AMOR nos redimiria, a todos, nos redimiria desta pobre condição humana.

Tens uma missão, missão que decidiste como tua, única e portanto solitária (Zaratustra, Cristo, Buda, homens que sabiam que não seriam escutados enquanto falassem, apenas depois quando a palavra virasse ruído, som universal). Não te queixes das limitações, sempre as tiveste, apenas estas são mais incidentes, mais fortes. Sei que podes...
Te amo

Albano

22 de febrero de 2010

Carta de Albano




Caro mio,

Que bom que passo a receber notícias tuas através do nosso Leopoldo.
Estamos todos com o pensamento voltado para tua recuperação plena.
Acredito que teus vínculos com a vida sejam ricos plenos de equilibrios que só irão beneficiar teu organismo como um todo.

Pense nas conexões profundas que tens com tua morada real (teu corpo) e através delas converse consigo próprio, com seu organismo em sua diversidade complexa, mentalize as regiões dele que estão sofrendo algum desequilíbrio e se convide ao equilibrio consigo proprio e com a vida em Gaia.
Deixa tua mente passear ao léu indo para qualquer lugar nestes momentos de convalescensa que devem ser vividos como uma oportunidade para te re-conectares, te re-conheceres.

Daqui de Pontas de Pedra vou aproximar-me de tuas energias e esperar trocas positivas entre nós. Te amo amigo e aguardo teu retorno ao mundo que criaste e que precisa do seu criador.
Te cuidas
Ciao

Albano


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8 de enero de 2010

Actualizando noticias de Recife de Albano Pepe














Primera noticia


"Caro mio,Creio que estás como o vulcão Etna, em eterno processo de ebulição, é o teu estilo não podes te assustar com o magma que às vezes escorre pelos vales da vida queimando as ervas daninhas. As lágrimas são magmas também que são lançadas.
Visite meu fotolog de hoje. Ciao
Em 01/01/2010 20:27,







Querido amigo: Pulsões são energias direcionáveis para homens como você e eu. O envelhecimento natural (estamos em nosso último quarto de vida neste planeta e com a forma que somos) traz consigo a sebedoria da cósmica que se manifesta na vida natural neste plano sublunar.

Tal sabedoria significa que estamos deixando de lado, um certo mundo de ficções que vivemos e que participamos de sua construção. Amigos antigos, familiares, vida profissional, projetos voltados para a sustentação de imagens narcísicas, são algumas das capas que nos envolveram, veja bem, que nos envolveram nos três quartos de existência que experimentamos. Deles, nos restam fragmentos que às vezes teimamos em preservar, em manter, normalmente por temor ao que pode vir neste momento em que nos sentimos fragilizados por fazermos um balancete da vida vivida.

Não devemos colocar nossas vidas no tribunal da razão como o queria Kant ao tratar da natureza. Fomos lagartas e crisálidas, h oje somos borboletas, a última mutação, a mais frágil e mais bela delas, não como reviver o passado apenas deixar que seus fragmentos aconteçam como fulgurações. O eterno retorno de cada um permite que nos saibamos em cada transformação, em cada etapa que se esvai.Saibamos tão somente construir o que somos, agora, em cada momento, não importam as intempéries e contratempos.

Vivamos o hoje que já é futuro para nós, visto que não dispomos de muito tempo sublunar para adiarmos idéias, projetos, paixões, apenas os jovens têm direito a criar ilusões como o fizemos quando eramos jovens.Somos dignos do que somos, querido amigo, cabe reconhecermos a subjetividade que fomos capazes de construir, como poucos o conseguiram. Neste momento de nossas vidas, a humildade é a maior das sabedorias que podemos cultivar.

Querido, lemos porque gostamos não porque tenhamos muito ainda que aprender. Os autores que lemos, as obras que assistimos ou escutamos, s ão interlocutores privilegiados que construimos de acordo com nossos desejos, conscientes ou não.Não resista ao movimento das correntes marítimas que te conduzem para esta nova viagem, não é sábio resistir às forças naturais que envolvem teu corpo, corpo que aos poucos se despe dos pesados vestuários que podem impedir que flutuemos delicadamente ao sabor dos elementais que nos resgatam.

Sociedades de extermínio só existem para os exterminadores e os que se deixam exterminanar, individual ou coletivamente.Pelo tempo sublunar amanhã é o ultimo dia do ano 2009, no entanto, além deste o tempo é um só e amanhã não será o último nem o primeiro dia de nada. Vivemos os dois planos, sucessiva e simultaneamente, saibamos vivê-los e ergamos um brinde a todos os da nossa espécie.
Carinhosamente Albano Pêpe




Tercera noticia



Caro mio,Passada a "gripe papainoel", os maratonistas se preparam para os desafios das festas de "revellion". É chegada a hora das grifes vestirem os atletas A moda passa a ditar o vestuuário, ou será fardamento (?), para as grandes passarelas que acontecerão, desde a beira mar das copacabanas da vida, aos salões de festas, passando pelas tendas montadas ruas.nas Ao longe escutam-se os primeiros acordes da música carnavesca que invade as prévias do reinado de momo que acontecerá em fevereiro, haja fôlego, haja disposição, haja esquecimentos do dia a dia.

A burocracia do cotidiano cede espaço ao mundo dionisíaco e uma certa ludicidade consumista continua o ritmo inaugurado pelas festas natalinas. "Hoje a festa minha, a festa é sua é de quem quiser", anuncia massivamente um canal televisivo de grande "penetração" no corpo, na alma e no coração de um povo que se contenta com pão e circo desde os antigos romanos.Ao viver num país tro pi cal "abençoado por deus e bonito por natureza", vejo-me inclinado a acreditar em mutações genéticas que ao longo dos séculos modificaram o DNA dos que vivem em continentes tropicais, muito sol, muita produção de melanina, de consumo de "águas ardentes" e de comidas exóticas típicas de culinárias como a africana e a indígena.

Corpos morenos amaciados pelo sol e pelas quentes noites de um verão eterno, assumem sua sensualidade despudorada em um mundo de festas pagãs e lascivas que lembram ritos antropofágicos primitivos.Nestes lugares e nestes momentos de festividades, não cabem ao meu ver os preceitos morais do filósofo de Konisberg, Kant, um dos pais da racionalidade europeu moderna. Nem europeus somos convêm lembrar aos habitantes destes novos-antigos continentes. Menos ainda seguidores das seitas cientificistas das ordens positivistas.Tais retalhos que me vêm à mente permitem reconhecer a dificuldade que temos em defnir quem é quem nest e mu ndo de alienações que são produzidas, inventadas, implantadas ou seja o que for, sei apenas que perseguimos vorazmente coisas que prencham as horas do dia, pois sem isto elas ficam insuportáveis para a grande maioria dos viventes. Portanto, "pão e circo" fazem parte, me parece, de mecanismos culturais que fazem o tempo passar... até que a morte aconteça.Que tal dar uma pensada nisso, meu querido amigo?Ciao
Albano Em 19/12/2009 08:53,



Cuarta noticia




Caro mio,O arquivo que me m mandaste é tão confidencial que eu não consegui abri-lo, não entendi o motivo, portanto vou ter que esperar até segunda para lê-lo e assim compartilha-lo com você. Não tem problemas, enfim depender de tecnologias dá nisso, não temos domínio sobre esta caixinha de surpresas.
Como andas? vejo que os planos para 2010 estão bem direcionados para Buenos Aires, isto me agrada porque tem a ver, no meu entendimento, com alguns fantasmas que te acompanham ao longo da vida. Querido amigo, dentre outras coisas entendo o "eterno retorno" como um prescrustar alguns lugares na memória onde ficam depositados os "esquecimentos" que têm a ver com o nosso passado pessoal, íntimo e ligado às nossas primeiras experiências com o mundo.

Algo que tem a ver com a família, com os amigos de infância, com as ruas e o casario por onde passavamos, enfim nossos primeiros olhares que ficaram depositados em nossos porões.Espero que faças esta caminhada, não olhando para o passado, mas recepcionando os "agoras" com que algumas imagens se apresentam.
Falo isto, espelhado nestes dias em que estou aqui em Recife deixando que o esquecimento se faça lembrança como um devir que se associa a outros devires de ontens, hojes e amanhãs desta confusa forma de sermos inifnitos em nossas infinitudes. Quero poder conversar contigo mais longamente sobre isso e no que pode acontecer com nossos olhares para o não sentido, para a des-ordem que insistimos em ordenar em dar sentido.
Saudades Albano Em 18/12/2009 18:06







Quinta Noticia

De: pepeamb Assunto: Re: noticias de RecifePara: "Luis Alberto Warat" Data: Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009, 2:22


Caro mio,Tua alma de jurista nunca te abandona, sempre tens uma réplica na ponta da língua, ou melhor, na ponta dos dedos que digitam. Tudo bem, nada sei de Santo Ângelo, sei apenas de Itaara e do grupo que participo. Verdadeiramente és uma lenda entre meus companheiros, uma lenda que eles se acostumaram a ouvir falar e a ler, isto quer dizer: a pensar teu pensamento amorosamente, humanamente, porque és uma lenda humana, palpável, que eles podem querer bem pura e simplesmente.
Nós dois, cada um a seu modo, adentrou nas memórias deles como estados febris que provocam alucinações e medos (medos que os seduzem porque os remete a um para além da mediocridade).
Casa Warat ou Casa Albano Nascente do Lago, são nomenclaturas que produzimos para abrigar nossos devaneios, nossos devires. São Casas como a do poeta que citei para ti: "era uma casa tão engraçada, não tinha teto, não tinha nada..." Esta é para mim a melhor descrição das n os sa Casas, elas são mimetismos nossos, abrigos desabrigados de dois libertinos (cada um a seu modo, é claro) e por isso fico sensibilizado por esta "carta de alforria" que me apresentas.

Esta viagem é nossa, fruto de invencionices próximas e distantes, mas nossas, são lugares onde nossas solidões não se sentem pertubadas, pois gostamos da solidão e não de solidão.Meus textos terão sempre a ti como primeiro interlocutor, os demais virão por acréscimo. Nossas Casas somos nós, tão somente nós, caro mio. E por falar nisso, que achas destes relatos intimistas que o Recife me provoca? Continuamos a dialogar ao longo deste meu retiro voluntário nestas plagas onde olhei pela primeira vez o mundo para o qual fui exilado.Ciao, Albano
Em 14/12/2009 21:49,






Sexta noticia




De: pepeamb Assunto: Re: noticias de RecifePara: "Luis Alberto Warat" Data: Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009, 14:33

Caro mio,Tenho acompanhado o novo calendário que apresentas para as tuas páginas, que bom estares dando férias parciais para as atividades rotineiras. Subi no meu fotolog um pequeno tema sobre a memória, que fiz pensando no dia em que vais subir para o teu fotolog minhas contribuições assim como as do Leopoldo, espero que te agrade.
Nesta minha estada intempestiva em Recife, tenho privilegiado reflexões pessoais dos devires que sou, nenhum "ego", "self", "eu" ou coisa que o valha, apenas deixando que a "ola", as "ondas" levem meu corpo para onde quiserem, pois a Mãe Natureza é sábia e assim a ela me entrego completamente. Se alguns autores fizeram inscrição no meu modo de ser, alimentei-me deles antropofágicamente os incorporando ao meu "eterno retorno".
As personas criadas são tão somente manifestações vistas da e na superfície.Deixei um alô no teu fotolog da Casa Warat sobre o encerramento da "filial" de Santa Maria, peço que o leia. Muitas das tuas mesetas atuais trazem depoimentos sobre autores que te influenciaram, fica me parecendo uma fragmentação progressiva de uma unidade chamada Warat, apenas lembro que os movimentos são contínuos e descontínuos, se fragmentamos devemos desfragmentar, mas você sabe o que faz...
Meu Velho Pescador melhora dia a dia e creio que logo voltará para o lugar onde ele aprendeu a olhar para o horizente nestes últimos sessenta anos: sua morada, sua casa. Aguardo notícias e novidades do projeto 2010. E daí, vai enfrentar o velho Saramago e seu Caim?CiaoAlbano
Em 10/12/2009 15:51, Luis Alberto



Septima noticia


Em qua, 9/12/09, pepeamb escreveu:
De: pepeamb Assunto: Re: noticias de Recife Para: "Luis Alberto Warat" Data: Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009, 17:03

Caro mio,Muito boa sua colocação sobre nossas diferenças, nossas diatribes (como falei meses atrás em texto do fotolog), nossa capacidade de dizermos desde sempre, que nunca fomos o mesmo, a mesmice, que não sou seu seguidor nem você o meu, somos sim atentos leitores um do outro.
Por outro lado vale correções, sou leitor de Guattari há anos e sempre o apliquei nos meus estudos de Ecologia, assim como Castoriadis e Daniel Cohn-Bendit. Quanto ao Deleuze o li como se lê a muitos autores "interessantes". Outra correção: seu o Guatttari que falas é o teu, ele é igual ao Guattari dos blogs dedicados a ele que eu leio, com as mesmas interpretações, tudo bem certinho, nenhuma novidade nem no teu Guattari nem no Guattari deles, que tenho acompanhado através do teu blog (que permite acesso aos outros blogs) e das contestações deles. Isto eu não entendo.
Mas quando tu usas conceitos guattarianos ou deleuzianos no mundo waratiano, percebo abordagens dife re nciadas, novas, waratianas. Enfim, o gosto é teu, a mania é tua e deixemos mais uma vez pra lá.Para concluir e quem sabe deixarmos este tema de lado eu te digo: prefiro ler Guattari e Deleuze e não seus interpretes, porque para lê-los uma pessoa de formação mediana não terá problemas, pode não ter saco, mas isto é outra estória, não é mesmo? Que tal, "Como ler Warat", por Luis Alberto Warat.
Assim muitos poderão acompanhar os deslocamentos maravilhosos que você faz em suas abordagens ao longo de sua intensa e extensa obra.Quanto ao teu comentário ao texto do meu fotolog "JANELAS", creio que uma mesma janela aponta ora para o corredor do hospital (que não é necessáriamente o corredor da morte), ora para o horizonte infinito do céu-mar. Basta pensar o olhar e não deter-se no olhar para não virar uma estátua de sal, como o deus do antigo testamento gostava de fazer com quem não o obedecia cegamente. Vale a pena dar uma lida em CAIM do ve l ho e sábio Saramago.Carinhosamente.
Albano Pêpe
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5 de enero de 2010

Desaparecimiento temporario



Durante los festejos de fin de año me quede sin internet y como tuve un accidente que em dejo por varios dias inmovilizado y de cama-Esa es la razon del desaparecimiento ,en esotos, dias, del Blog Cas a swarat y de la actualizacion de los fotolog.Hoy comenzaremos a retomar la rutina, con algun atraso, son cosas de las fiestas de fin de año (para mi mas que celebraciones son tormentos.


Esta semana el ordend e las cosas estara bastante alterado, A partir de la proxcxima semana todo volvera a la normalidad loca que nos caracteriza.


Noticias de Recife de Albano Pepe


Diálogos co-respondidos25/12/09
Escrevemos para todos, ou seja, escrevemos para ninguém. Lembras Zaratustra do Nietzsche que ao descer a montanha para falar aos homens sobre seu über mensch (o sobre-homem) recebeu um conselho de um velho lavrador que disse a ele que ninguém o escutaria, mas mesmo assim ele foi cumprir o desiderato que havia se determinado: falar da servidão humana às falácias mentirosas que humilhavam a espécie para lhes apontar o caminho da emancipação, da autonomia.

Zaratustra não queria seguidores e os que tentaram sê-lo, os desprezou e voltou para a solidão longe dos demais humanos, voltando-se apenas para os animais de outras espécies. Sem sabermos fizemos de algum o caminho de Zaratustra, falamos aos que não querem nos ouvir e escrevemos para quem não nos quer ler, restam-nos os animais não humanos. Não como interlocutores, mas como viventes como nós, que experimentem a leveza da existência tal como nos foi legada pelo Caos-Cósmico. Os animais não-humanos seguem seus instintos, seus DNAs de modo absoluto e simples. Deles sentimos a presença física, deles escutamos suas vozes enquanto reverberações de seus corpos.

Eles não se perguntam por suas vidas finitas na infinitude cósmica, tão somente existem em comunhão com a vida. Nós dois devemos nos deixar levar por uma inscrição cósmica sem nos perguntarmos, sem nos condenarmos, sem nos julgarmos, aceitando uma dádiva natural que nos está sendo revelada aos poucos, densamente e inevitavelmente. Nos pensamos nesta trajetória recriando representações do que pensaram de nós e hoje, não mais precisamos disto, nos sabemos tal como os animais não humanos se sabem. Eles nascem e morrem livres, pois não se representam. Nós dois estamos vivendo o desnudamento das fantasmagorias que quiseram nos impor, estamos começando a respirar a liberdade de sermos tão somente Albano e Warat, nomes que nos acostumamos a ouvir e que começam a se despregar do sentido que os outros nos ofertam.

Falamos e escrevemos para todos e para ninguém porque é assim que somos, nada mais que isto. Quem quiser nos ouvir, ouvirá; quem quiser nos ler, lerá.Assim devemos continuar nossos devaneios, nossos devires, sabedores da solídão a quem nos abandonamos em nome de crenças que criamos ao ouvirmos a voz silente deste Caos Cósmico que aceitamos. Há muito, dileto amigo, que sabiamos do resultado desta semeadura que sempre foi, é e será nossa vida. Mas, mais uma vez te recordo, chegou a hora da colheita, e tão somente nós poderemos recolher os frutos, que verdes, maduros ou apodrecidos espalham-se ao nosso redor, no sitio em que estamos e vivemos. Ao menos, não devemos esperar que outros compartilhem desta colheita, tão somente devemos generosamente distribuir a safra para aqueles que conseguem nos ver, nos escutar e nos ler.
Quem são, quais são, quantos são, é o que menos importa. A nós deve importar tão somente que estamos sabendo seguir nossos instintos, nosso DNA, em nome da vida, em nome do amor primevo que atravessa todas as formas de ser planetárias.amor que se manifesta pela voz que abandona a busca de sentido que o humano tenta lhe emprestar.Um abraço natalino em nome daqueles que acreditam no cuidado coletivo, nos natais de todos os dias que podemos sentir nos cheiros que invadem nossas narinas e nossos demais sentidos.

24 de diciembre de 2009

Noticias de albano Tal cual el las mando.Trate pero no pude enmendar los defectos del programa de computacion Disculpen pero es un texto valioso


, 24 de Dezembro de 2009 0:56
De:
"pepeamb" Exibir informações de contato
Para:
"Luis Alberto Warat"
Caro mio,O Cesar Martins mandou para os amigos uma mensagem natalina atraves de uma frase da Clarice Lispector:"Amar os outros é a unica salvaçao individual que se conhece (que eu saiba=Nadie esta perdido si da amor à s vezes receber amor em troca." Hoje, caminhando pelos corredores de um hospital estive no setor de hemodiáise e ali vi a­ dor e alegria se confundirem nas expressões dos pacientes que entravam e saiam das sessões de diálise. Dor porque durante duas horas eles vêm uma máquina substituir suas funções renais ao terem seu sangue drenado e devolvido à corrente sanguínea, seus rins não mais funcionam e este ritual repete-se três vezes por semana. Felizes porque continuam vivos e capazes de tocar alguns projetos pessoais. Eles vão e vem, não gozam da beleza a que estamos acostumados a ver nas passarelas da vida. Não usam grifes nem exalam cheiros de perfumarias, são tão somente corpos apegados a vid a, apegados ao dia a dia que inclui as visitas semanais aos corredores hospitalares. Não se queixam e nem se sentem abandonados, pois a solidariedade está ao seu redor por parte dos familiares e amigos que os levam, por parte da equipe médica que os recepciona. E assim saiam hoje despedindo-se e desejando um feliz natal para todos. São pessoas, simplesmente pessoas que por instinto básico querem continuar vivos enquanto espécie que não quer desaparecer, quer não quer ser extinta. Se a duração de suas vidas é breve, eles servem de exemplo para os demais humanos que a eles são solidários.Nas clínicas que tenho passado ao lado do meu pai com seus oitenta e nove anos, o levando numa cadeira de rodas, tenho sentido a solidariedade de todos por quem passamos: do motorista de um carro que pacientemente espera que eu o desça do meu carro e o acomode na cadeira de rodas, do porteiro que solicito abre a porta, dos funcionários da recepção, dos pacientes que ag uardam a hora de serem atendidos, dos médicos e das enfermeiras que nos recepcionam e nos ajudam a buscar soluções para a já debilitada saúde do meu pai. De todos escutamos na despedida votos de restabelecimento de de um feliz natal. Dizem alguns estudiosos que ajudar o próximo é uma ação instintiva dos humanos e eu diria de todos os seres vivos. Talvez por isso a frase de Clarice remetida por um companheiro, tenha calado tão profundamente em mim, que vivo um período natalino peculiar, onde não tenho tempo para pensar na minha lista de presentes a ser encaminhada ao papai noel. Fico apenas pensando baixinho como numa humilde oração que todos merecem a vida, mesmo atravessada por dores e sofrimentos que penalizam o modo de ser que nos é próprio.Que tenhas um natal onde penses no outro, aquele que acredita na magia desta época.CarinhosamenteAlbanoEste é no meu entendimento querido amigo, a contrapartida em relação aos da nossa espà ©cie que mergulharam em egoismos profundos esquecendo sua humanidade, estas também são as duas faces de uma mesma moeda equilibrada pelo livre arbítrio que em nós substitue a conduta instintiva dos demais animais. Falta aos individualistas a generosidade, a solidariedade para com o outro..Un abrazo

18 de diciembre de 2009

Con un poquito de atraso llegan mas noticias de albano desde pernambuco


o lado de baixo do equador
Pois é, "do lado de baixo do equador vamos fazer um pecado..." assim dizia o poeta Buarque de Holanda. Saio pelas ruas e olho para o Cosmos e o que vejo? Aquilo que os olhares sublunares não vêm, porque estão encandescidos, confusos com as luzes feéricas dos corredores de consumo que anunciam o natal do capitalismo. Os presente, as vitrines, as liquidações, os subterrâneos dos gastos inúteis para mostrar que não esquecemos de quem nunca lembramos.
Nenhum olhar para os olhares dos Reis Magos, que seguiram a chamada "Estrela de Belem" e nenhuma pergunta por estes olhares que guiaram os três Reis para aquela manjedoura. Aqueles que nunca pensaram a ficção dos depositários da mirra, do incenso e do ouro que iriam ser depositados aos pés de uma criança, que não era uma qualquer, uma criança que criou uma ficção que perdura por mais de mil anos.
Olhemos os astros, olhemos o Cosmos, olhemos as origens de todo o mítico que não só anuncia a vinda de uma visionário chamado Cristo, mas que anuncia o plantio de uma semente que, virada arvore volta-se para o infinito, mesmo que finita seja.

17 de diciembre de 2009

A propósito del Club Atlético Molecular


Comentario de Albano


Poderias ter deixado para o início de 2010 o lançamento do "Clube Atlético Molecular", seria o apontamento de mais uma nova era da "caixa de pandora" que abres constantemente para dela retirar os elementos descontrutivos com os quais desequibras a mesmice, a monotonia dos que não sabem produzir sentido ao eterno não sentido do dias que se repetem e se repetem.

Viver tão somente o plano sublunar é uma das maiores idiotices que pode acontecer a este híbrido sublunar\cósmico que é o ser humano. E você, melhor do que ninguém sabe disso e é por isso que carregas em teu alforge a eterna Caixa de Pandora que te peermite rizomaticamente pensar os pensares moleculares.

Antevejo adesões daqueles que sabem que a mediocridade é produto de egos premontados, vendidos nas boas casas do ramo e sabemos também que nem todos aceitam tais personas. Eis uma chance de permitirem que suas subjetividades em devires permanentes inscrevam seus devaneios, seus sonhos, suas ficções. Mais uma vez tiro respeitosamente o chápeu para ti.

Albano


16 de dezembro de 2009

.

Continuan las noticias de recife


La columna veraniega de Albano Pepe
Caro mio,Estou fora de minha área e por isso talvez exista alguma restrição de chamadas internacionais (vou verificar com a TIM). quanto ao nome da Casa Itaarense farei um plebiscito com o grupo sobre os nomes que indicas, oquei?

Vou colocar mais iluminura pernambucanas no meu fotolog (infelizmente uma por dia, o que me é permitido) com pequenos comentários ou não, faça o uso que quiser. Achei boa idéia publicar partes da nossa correspondência no fotolog, só que terei que traduzir os teus textos, pode ser?

Tenho tido pouco tempo livre face a correria do hospital, mas hoje o Velho Pescador recebeu alta e vamos administrar sua saúde a partir da nossa casa, indo às clinicas e tudo o mais, espero assim ficar e... com mais tempo para ler e escrever.Papai venceu uma batalha que deixou marcas profundas em seu corpo bastante envelhecido. Agora terá que enfrentar outras para encerrar este ciclo. O que posso fazer é colocar-me ao seu lado (juntos com a família) como um bom soldado, atento e cuidadoso, espero ter competência para tanto. .Tomara que eu tenha herdado algo do seu DNA de guerreiro amoroso para poder cumprir este papel que me dei, por amor, por respeito e admiração.
Tenho saudades do amigo, da tua presença forte e reconfortante.
Ciao Albano

14 de diciembre de 2009

Memorias de Albano



Lembrança e esquecimento14/12/09

Caminho ao lado do Canal de Setúbal até alcançar uma pequena ponte que o atravessa, ao lado desta, uma velha senhora protegida por uma sombrinha expõe suas chagas e pede esmolas afirmando que tais são os desígnios de deus e isto a conforta. Eu passo assim como outros passantes o fazem.

Solidariamente sinto uma profunda piedade por aquele ser envelhecido e solitário, penso nas vidas que se locomovem ao longo deste canal cujas águas sujas e barrentas passam assistindo indiferentemente o passar dos caminhantes e daqueles que sentam em suas bordas, às vezes para esmolar, às vezes para trocar beijos furtivos.Percebo o canal como um verdadeiro divisor de águas, à direita o imponente prédio hospitalar, cujos corredores, elevadores e enfermarias eu transito faz dias; à esquerda uma rua qualquer que deságua na praia de Boa Viagem, onde os passantes acontecem no seu calçadão, nas areias quentes e em suas águas tépidas e cristalinas.

Solitariamente assisto os movimentos dos corpos que se bronzeiam cultuando suas peles morenas e sensuais.A tudo assisto como se estivera frente a um enorme palco cênico, observando a confluência dos planos ora recepcionados pelos sentidos, ora voltados para a memória que se faz esquecimento e lembrança, aleatoriamente, sem nenhum controle de um “eu” que escolha a ordem dos aconteceres. A multidão de imagens que são processadas atravessa meu olhar imediato, minhas lembranças e meus esquecimentos.

Sou protagonista de cenas que acontecem e me arrastam para o fundo tal uma onda que impacta no quebra-mar e que joga os corpos à deriva. Aprendi que ao sermos capturados por uma onda, não devemos resistir, debater-nos, devemos sim deixar que o corpo seja levado pelas correntes marítimas, só assim ele emerge à tona. Caminho e deixo-me levar pelas correntes que emergem em mim.

7 de diciembre de 2009

Fichas de lectura sobre Guattari


Albano Pepe, que no gusta demasiado de algunos autores franceses del 68 y menos del psicoanalisis aplicado a la filosofia, me preguntaba porque tanto Guattari en el Blog y por que sustiotui algunos textos.

La razón es muy simple: decidi releer Guattari y hacer algunas fichas de electura para facilitar el codigo lexico del autor
Las personas generalmente se cierran a Guattari por que el inventa tantos nombres extraños para asus ideas quye las personas termina perdiendose en un laberinto de significantes y no consiguien armar la Gartografia que muestre minimamente al autor,sin querer ser creativo quiero ofrecer a mis seguidores blogianos una guia de lectura de Guattari para que podamos tener un codigo comun. Por qué sustitui el numero XI? Por dos razones:
La primera,por que no me gusto, preferi la nueva version del dia siguiente, Las ideas siguen siendo las mismas. Segundo por que como Deleuze y Guattari recomendaban, una vez leido un a pagina de sus obras ella debe ser arrancada del Libro. Asi sera hecho con Deleuze y Guattari en lo sucesivo del blog De tanto en tanto lo deletaremos
Guattarianamente,

3 de diciembre de 2009

Eternos retornos,cronicas de Recife de Albano Pepe




ETERNOS RETORNOS2/12/09
Devires, movimentos descontinuos que resgatam um corpo nômade que confunde-se com tantos outros corpos, nômades talvez. Caminho como sempre, estrangeiro entre estranhos, atravessando ruas que emolduram fragmentos de momentos outros, acontecidos, acontecendo. Memórias coletivas que oscilam dialeticamente entre o esquecimento e a lembrança, tão singulares, tão plurais. Atravesso pontes que são atravessadas por águas nas quais não me banharei duas vezes, pois no rio Capibaribe que deságua no Oceano Atlântico apenas o devir, o vir-a-ser das águas barrentas confundindo-se com as águas azuis-esverdeadas. O porto de Recife na ilha tendo ao largo seus arrecifes recepciona os devires do rio-mar, do mar-rio, daí surge a maré, alquimia das águas que banham as ilhas desta cidade-palco-cênico das lembranças resgatadas das forças subterrâneas que emergem e submergem. Recife Antigo, da rua da Guia (antigo lupanário), da rua do Bom Jesus, onde o casario abriga a primeira sinagoga das Américas (1632), a rua dos judeus onde vozes de quatro séculos preenchem os rebocos caidos, os vãos dos paralelepípedos do piso sinuoso e ancestral, como rugas fossem. Lembranças e esquecimentos que vem e que vão com os transeuntes com quem me confundo, sem identidades a resgatar, apenas sendo como tantos são anonimamente.

2 de diciembre de 2009

Cronicas de mi alma en recife por Albano Pepe



Caminho por ruas estreitas de paralelepípedos margeadas ora por antigas edificações que compõem o casario, ora pelas águas do rio Capibaribe. Atravesso pontes que unem ilhas tantas sem buscar rastros deixados, tão somente caminho. No ar o cheiro acre que vem da maré e dos manguezais que florescem na lama, verdadeiro berçário de um ecossistema rico em sua flora e fauna, lembrando os botos que faziam do rio seu habitat lúdico, com aparições e mergulhos que chamavam a atenção dos transeuntes, que debruçados nos parapeitos das pontes encantavam-se com o espetáculo.

Da janela da antiga Prefeitura, na rua da Aurora onde todas as auroras aconteciam, um jovem, afastado da prancheta de desenho, contemplava esta cena diariamente, assim o passado se faz presente como se nunca fora passado.Entre pontes alcanço a rua da Saudade, a rua da Imperatriz, a rua Nova.

Uma cartografia que existe desde sempre abre-se à minha frente, recuperando da memória o esquecido, transmutado mimeticamente em lembranças inscritas em algum lugar de identidades subterrâneas, tal como os caminhos recônditos dos mosteiros que serviam de refúgios e de pontos de fuga no Recife medieval. O passado ilumina o presente em um movimento único que nega a fragilidade do tempo linear através das vozes desta cidade.

1 de diciembre de 2009

NOTICIAS DE RECIFE de Albano Pepe



Caro mio,






Este diáologo diário me auxilia neste trânsito em que estou. Estrangeiro aqui, estrangeiro ali, me restam os sinais de fumaças que meus amigos remetem, cada um de sua taba, da sua comunidade. Você assim como eu é um nômade, e os nômades sentem profundamente seus deslocamentos, seus devires, sejam geográficos ou não. Mesmo nômades nossos rizomas estão fincados em algum lugar ( só que no nosso caso não sabemos do lugar originário, apenas pressentimos). Nossa existência (minha e sua) está condenada a devires sempre em direção ao Caos, ao sem-sentido. Não temos projetos, senão aqueles que se instituem em um hoje como se fora um sempre. Sem passado e sem futuro estamos presos a um presente que se eterniza numa infinitude que antevê a morte, um sem-sentido no nosso sem-sentido. Se quisermos dar sentido às nossa existenciais, temos que fazê-lo na força de explosão de um corpo celeste (um astro, um sol), que por ter luz própria está condenado a explodir ou a implodir (vide big bang) para morrer nascendo, para nascer morrendo. Portanto, afora metafísicas somos, estamos provisoriamente onde quer que estejamos.Ser pobre ou ser rico é uma gramática capitalista, temos o que temos e fazemos o que fazemos (viagens, carros, etc) não representam para nós poder aquisitivo, tão somente lugares desejados, alcançáveis ou não. Nunca acumulamos pois desde sempre sabiamos das nossa finitudes atemporias.

É estou dizendo atemporais, vivemos o mundo sublunar com olhar cósmico assim como fizeram os filósofos pré-socráticos. Nossa condenação é sisífica, um rito inútil de um ir e vir sem sair do lugar. Talvez por isso, desconheçamos a decadência de nossos corpos, a decadência natural do envelhecimento.
Talvez por isso eu tenha "criado" o meu "caminho do elefante", da lucidez diante do fim neste plano terreno e da necessidade de me re-conhecer, de fazer o resto da caminhada às apalpadelas, levado pelas intuições que guardo na memória (esquecimento-lembrança).Nada dizem sobre mim visto que não sou uma lenda (como és porque assim o permitiste). Nem tantas mulheres, nem tanto dinheiro, que nunca tivemos, salvo aquilo que narram sobre as figuras legendárias, o que não sou, não fui e nem serei.
Tens, querido amigo, uma lenda a administrar, um dificil desiderato. Neste sentido pouco posso te dizer, pois esta é tua fortuna, tua condição waratiana. Espero que tua analista tenha a sensibilidade de perceber para além da imagem que, às vezes, é tão dificil para ti.Meu velho pescador está recuperando-se e eu, rezo aos deuses naturais por ele, por todos nós.
Te aguardo.
Ciao

Albano

Em 01/12/2009 09:28,

28 de noviembre de 2009

Albano y el mar




O Velho Pescador

O Velho Pescador

27/11/09
Estou diante do oceano Atlântico, cercado pelos seus mistérios e pelos seus habitantes nativos. Ao largo vejo jangadas ensaiando balés ao atravessarem as ondas que movem este horizonte. Na beira da praia, outros pescadores preparam suas rêdes para atividade diária: retirar do mar seu sustento, a manutenção de sua família e da sua comunidade.
Nasci neste litoral e cresci tendo como paisagem de fundo as imagens que relato. Aprendi com meu pai os ritos da pescaria, no mar aberto, nos arrecifes, na beira mar. Aprendi desde criança a observar sua paciência no cumprimento dos movimentos que antecedem a caminhada para o mar, assim como o manejo da vara de pescar, da preparação dos anzóis, da escolha das iscas, dos pontos adequados para lançar as linhas no mar. Aprendi o jogo de paciência com o olhar voltado para o infinito azul das águas que confudiam-se com o azul celeste do céu. Aprendi o silêncio que se instalava ao longo do dia, acompanhado dos lançamentos e das retiradas das linhas, ora para reabastecer os anzóis, ora para retirar o peixe fisgado. Era um silêncio alegre e compartilhado por nós.
Aprendi que meu pai é um pescador, paciente e tranquilo a cada movimento, com peixes ou sem peixes em cada dia que se acabava com cair da tarde. Um pescador que sempre traz consigo a alegria do convívio com o mar, com a natureza, sem frustações e sem exaltações pelos resultados obtidos. Aprendi que o princípio era conviver com o silêncio, com a quietude, com os pés molhados pelas águas salgadas e o corpo tomado pela imensidão. Pescar era e é a forma de alcançarmos nossas águas abissais, nossos corpos tantas vezes esquecidos e que nestes momentos tornam-se íntimos daqueles momentos.
O Pescador está agora mais uma vez sozinho, olhando para a imensidão que é sua vida. Olhando para o abissal, sabendo de sí, silentemente, para, assim que terminar mais uma pescaria voltar para casa, para sua morada, onde todos nós o esperamos amorosamente.
Volte logo Pescador, volte em breve, não importa os peixes pescados ou não, visto que sabes pescar humildemente os momentos da tua existência.
Te amamos.

Albano Pepe





25 de noviembre de 2009

Educação: um tema recorrente; mais um diálogo entre... “Cara de paisaje, cuerpos desaparecidos. Todos disciplinados”. Com este título, Warat escreve

...o texto abaixo (com tradução minha), que recepcionei como um reinício de nossos diálogos momentaneamente interrompidos. Está publicado na página de seu blog – Casa Warat UNISUP - do dia 19 de novembro de 2009. Pretendo que o mesmo re-inaugure uma conversação alegre e descontraída, visto que o tema é um verdadeiro “ninho de vespas” de onde “ferroadas” podem vir de todos os lados. Digo isto porque nós que habita(va)mos o mundo acadêmico, sabemos que sob a égide da pedagogia abrigam-se os mais diversos e contraditórios discursos, típicos da Torre de Babel que é o sistema educacional instituído e oficial.
Portanto, este é o primeiro movimento “alegro ma non tropo”, apresentado como um diálogo entre dois narradores.

- Warat:
Albano, quero te contar algumas coisas que por suposto já sabes.Estou em um festival de cinema e Direito, onde travou-se uma rica discussão sobre as coisas que temos discutido diariamente: o fim do modelo educativo racional e a necessidade de discutir que tipo de educação queremos para amanhã. Outro dia, quando eu e membros da Casa Warat, fomos ver se poderíamos sonhar juntos com as Mães da Praça de Maio. Gregorio o coordenador geral da Mães, um velho amigo das sempre renovadas lutas me disse algo que provocou uma forte comoção em minha sensibilidade racional (equivalente a que Marta Gama provocou quando me disse que a faculdade de direito lhe havia roubado o corpo). Gregorio me disse que não só os militares provocaram o desaparecimento dos corpos. (para ele) A educação, inclusive na democracia provoca o desaparecimento de todos os corpos educados. O conhecimento, a educação reinante são semiocídios, que completam os momentos de extermínio concreto dos regimes totalitários, tal como os do processo Videliano and company. Somos todos, devires de subjetividades em corpos desaparecidos.
Tudo começou quando começamos a esquecer-nos que somos animais racionais e nos reivindicamos só como racionais. Este foi o primeiro ato de desaparecimento do corpo, daí começamos a ser desaparecidos até chegar ao ponto de vivermos em sociedade de desaparecidos. E a coisa continua com a disciplina, com este maldito modelo de educação, a partir de fragmentos disciplinares apoiados numa erudição, que, como toda erudição, é uma forma da ignorância, a ignorância erudita, esta que não sabe fazer nada com a informação, aterrorizada com tanto brilho. Por mais que ilustremos a informação, ela não se torna inteligente. A inteligência não brilha, apenas nos transforma, silentemente. A transformação de nosso devir subjetivo, seja individual ou coletivo, tem de ser silente. O escândalo revolucionário não é criativo e não modifica nada. O escândalo contém um forte componente autoritário. Temos que dizer basta ao saber por disciplinas. Barthes tinha razão. Temos que substituir as disciplinas por seminários. Estes últimos têm que ser dialógicos, carnavalizados, dionisíacos, com a ordem mais desordenada e aleatória possível. Por isso Barthes organizava seus seminários na Escola de França alfabeticamente.
- Albano:
Vou colocar como iluminura deste diálogo, que convêm salientar não está amparado no modelo do diálogo de surdos típico dos acadêmicos, a figura do Chapeleiro Maluco, visto que as iluminuras podem ilustrar melhor os caminhos que pretendo percorrer neste breve relato. O Chapeleiro é um personagem onírico que acontece nos sonhos de Alice, sonhada por sua vez por Lewis Carol. A partir destes lugares-personagens posso pensar a des-ordem, o Caos, a ausência de um sistema de ordenamentos que estabelecem “sentido” para os habitantes do mundo sublunar, marcado pelo tempo histórico. Mas, alguns destes habitantes percebem fissuras nestas densidades espaço-temporais, nestas densidades institucionais produzidas para ancorar os animais pensantes que somos. Tais fissuras, tais brechas negam o totalitarismo das práticas discursivas absolutas; e assim, produzem outras densidades, sutis e plenas de novos sentidos, que por sua vez libertam as subjetividades aprisionadas nos “corpos desaparecidos” a quem te referes querido amigo.
A modernidade produziu estrategicamente instituições, instituídas de tal forma como se existissem desde sempre. “Inventou” garantias para os humanos e suas comunidades, fundadas nos princípios da ordem e do progresso; do desenvolvimento tecnológico e do consumo de bens renováveis. Assim disciplinou os corpos e as vontades, articulados tal marionetes para que respondessem tão somente aos estímulos condicionadores. Nossos corpos estão ausentes de nós mesmos porque de nós foram alienados pelos filtros de sistemas educacionais produzidos para a geração do esquecimento, esquecimento de nossa ancestralidade cósmica, filha do Caos, ou seja, da constante densidade do instituinte que nunca se faz instituído, pois devir permanente.
O instituído é o Leviatã que a todos pretende submeter através dos signos postos como significante únicos produtores das máquinas racionais educativas. A nós cabe o permanente deslocamento, o estado do nomadismo, errantes de muitos lugares, errantes em um mesmo lugar, onde o instituinte não nos alcance, ali onde o Chapeleiro Maluco se movimenta, no Caos.
Des-velar, retirar os véus que encobrem os lugares eruditos das falas dos mortos, é nosso modo de ser, desiderato dos pedagogos comprometidos com a emancipação dos seres oníricos e amorosos que somos, pois desejantes em nossa infinita finitude.


sonhar, tão somente sonhar...


... o texto abaixo (com tradução minha), que recepcionei como um reinício de nossos diálogos momentaneamente interrompidos. Está publicado na página de seu blog – Casa Warat UNISUP - do dia 19 de novembro de 2009. Pretendo que o mesmo re-inaugure uma conversação alegre e descontraída, visto que o tema é um verdadeiro “ninho de vespas” de onde “ferroadas” podem vir de todos os lados. Digo isto porque nós que habita(va)mos o mundo acadêmico, sabemos que sob a égide da pedagogia abrigam-se os mais diversos e contraditórios discursos, típicos da Torre de Babel que é o sistema educacional instituído e oficial.
Portanto, este é o primeiro movimento “alegro ma non tropo”, apresentado como um diálogo entre dois narradores.

- Warat:
Albano, quero te contar algumas coisas que por suposto já sabes.Estou em um festival de cinema e Direito, onde travou-se uma rica discussão sobre as coisas que temos discutido diariamente: o fim do modelo educativo racional e a necessidade de discutir que tipo de educação queremos para amanhã. Outro dia, quando eu e membros da Casa Warat, fomos ver se poderíamos sonhar juntos com as Mães da Praça de Maio. Gregorio o coordenador geral da Mães, um velho amigo das sempre renovadas lutas me disse algo que provocou uma forte comoção em minha sensibilidade racional (equivalente a que Marta Gama provocou quando me disse que a faculdade de direito lhe havia roubado o corpo). Gregorio me disse que não só os militares provocaram o desaparecimento dos corpos. (para ele) A educação, inclusive na democracia provoca o desaparecimento de todos os corpos educados. O conhecimento, a educação reinante são semiocídios, que completam os momentos de extermínio concreto dos regimes totalitários, tal como os do processo Videliano and company. Somos todos, devires de subjetividades em corpos desaparecidos.
Tudo começou quando começamos a esquecer-nos que somos animais racionais e nos reivindicamos só como racionais. Este foi o primeiro ato de desaparecimento do corpo, daí começamos a ser desaparecidos até chegar ao ponto de vivermos em sociedade de desaparecidos. E a coisa continua com a disciplina, com este maldito modelo de educação, a partir de fragmentos disciplinares apoiados numa erudição, que, como toda erudição, é uma forma da ignorância, a ignorância erudita, esta que não sabe fazer nada com a informação, aterrorizada com tanto brilho. Por mais que ilustremos a informação, ela não se torna inteligente. A inteligência não brilha, apenas nos transforma, silentemente. A transformação de nosso devir subjetivo, seja individual ou coletivo, tem de ser silente. O escândalo revolucionário não é criativo e não modifica nada. O escândalo contém um forte componente autoritário. Temos que dizer basta ao saber por disciplinas. Barthes tinha razão. Temos que substituir as disciplinas por seminários. Estes últimos têm que ser dialógicos, carnavalizados, dionisíacos, com a ordem mais desordenada e aleatória possível. Por isso Barthes organizava seus seminários na Escola de França alfabeticamente.
- Albano:
Vou colocar como iluminura deste diálogo, que convêm salientar não está amparado no modelo do diálogo de surdos típico dos acadêmicos, a figura do Chapeleiro Maluco, visto que as iluminuras podem ilustrar melhor os caminhos que pretendo percorrer neste breve relato. O Chapeleiro é um personagem onírico que acontece nos sonhos de Alice, sonhada por sua vez por Lewis Carol. A partir destes lugares-personagens posso pensar a des-ordem, o Caos, a ausência de um sistema de ordenamentos que estabelecem “sentido” para os habitantes do mundo sublunar, marcado pelo tempo histórico. Mas, alguns destes habitantes percebem fissuras nestas densidades espaço-temporais, nestas densidades institucionais produzidas para ancorar os animais pensantes que somos. Tais fissuras, tais brechas negam o totalitarismo das práticas discursivas absolutas; e assim, produzem outras densidades, sutis e plenas de novos sentidos, que por sua vez libertam as subjetividades aprisionadas nos “corpos desaparecidos” a quem te referes querido amigo.
A modernidade produziu estrategicamente instituições, instituídas de tal forma como se existissem desde sempre. “Inventou” garantias para os humanos e suas comunidades, fundadas nos princípios da ordem e do progresso; do desenvolvimento tecnológico e do consumo de bens renováveis. Assim disciplinou os corpos e as vontades, articulados tal marionetes para que respondessem tão somente aos estímulos condicionadores. Nossos corpos estão ausentes de nós mesmos porque de nós foram alienados pelos filtros de sistemas educacionais produzidos para a geração do esquecimento, esquecimento de nossa ancestralidade cósmica, filha do Caos, ou seja, da constante densidade do instituinte que nunca se faz instituído, pois devir permanente.
O instituído é o Leviatã que a todos pretende submeter através dos signos postos como significante únicos produtores das máquinas racionais educativas. A nós cabe o permanente deslocamento, o estado do nomadismo, errantes de muitos lugares, errantes em um mesmo lugar, onde o instituinte não nos alcance, ali onde o Chapeleiro Maluco se movimenta, no Caos.
Des-velar, retirar os véus que encobrem os lugares eruditos das falas dos mortos, é nosso modo de ser, desiderato dos pedagogos comprometidos com a emancipação dos seres oníricos e amorosos que somos, pois desejantes em nossa infinita finitude.