8 de enero de 2010

Actualizando noticias de Recife de Albano Pepe














Primera noticia


"Caro mio,Creio que estás como o vulcão Etna, em eterno processo de ebulição, é o teu estilo não podes te assustar com o magma que às vezes escorre pelos vales da vida queimando as ervas daninhas. As lágrimas são magmas também que são lançadas.
Visite meu fotolog de hoje. Ciao
Em 01/01/2010 20:27,







Querido amigo: Pulsões são energias direcionáveis para homens como você e eu. O envelhecimento natural (estamos em nosso último quarto de vida neste planeta e com a forma que somos) traz consigo a sebedoria da cósmica que se manifesta na vida natural neste plano sublunar.

Tal sabedoria significa que estamos deixando de lado, um certo mundo de ficções que vivemos e que participamos de sua construção. Amigos antigos, familiares, vida profissional, projetos voltados para a sustentação de imagens narcísicas, são algumas das capas que nos envolveram, veja bem, que nos envolveram nos três quartos de existência que experimentamos. Deles, nos restam fragmentos que às vezes teimamos em preservar, em manter, normalmente por temor ao que pode vir neste momento em que nos sentimos fragilizados por fazermos um balancete da vida vivida.

Não devemos colocar nossas vidas no tribunal da razão como o queria Kant ao tratar da natureza. Fomos lagartas e crisálidas, h oje somos borboletas, a última mutação, a mais frágil e mais bela delas, não como reviver o passado apenas deixar que seus fragmentos aconteçam como fulgurações. O eterno retorno de cada um permite que nos saibamos em cada transformação, em cada etapa que se esvai.Saibamos tão somente construir o que somos, agora, em cada momento, não importam as intempéries e contratempos.

Vivamos o hoje que já é futuro para nós, visto que não dispomos de muito tempo sublunar para adiarmos idéias, projetos, paixões, apenas os jovens têm direito a criar ilusões como o fizemos quando eramos jovens.Somos dignos do que somos, querido amigo, cabe reconhecermos a subjetividade que fomos capazes de construir, como poucos o conseguiram. Neste momento de nossas vidas, a humildade é a maior das sabedorias que podemos cultivar.

Querido, lemos porque gostamos não porque tenhamos muito ainda que aprender. Os autores que lemos, as obras que assistimos ou escutamos, s ão interlocutores privilegiados que construimos de acordo com nossos desejos, conscientes ou não.Não resista ao movimento das correntes marítimas que te conduzem para esta nova viagem, não é sábio resistir às forças naturais que envolvem teu corpo, corpo que aos poucos se despe dos pesados vestuários que podem impedir que flutuemos delicadamente ao sabor dos elementais que nos resgatam.

Sociedades de extermínio só existem para os exterminadores e os que se deixam exterminanar, individual ou coletivamente.Pelo tempo sublunar amanhã é o ultimo dia do ano 2009, no entanto, além deste o tempo é um só e amanhã não será o último nem o primeiro dia de nada. Vivemos os dois planos, sucessiva e simultaneamente, saibamos vivê-los e ergamos um brinde a todos os da nossa espécie.
Carinhosamente Albano Pêpe




Tercera noticia



Caro mio,Passada a "gripe papainoel", os maratonistas se preparam para os desafios das festas de "revellion". É chegada a hora das grifes vestirem os atletas A moda passa a ditar o vestuuário, ou será fardamento (?), para as grandes passarelas que acontecerão, desde a beira mar das copacabanas da vida, aos salões de festas, passando pelas tendas montadas ruas.nas Ao longe escutam-se os primeiros acordes da música carnavesca que invade as prévias do reinado de momo que acontecerá em fevereiro, haja fôlego, haja disposição, haja esquecimentos do dia a dia.

A burocracia do cotidiano cede espaço ao mundo dionisíaco e uma certa ludicidade consumista continua o ritmo inaugurado pelas festas natalinas. "Hoje a festa minha, a festa é sua é de quem quiser", anuncia massivamente um canal televisivo de grande "penetração" no corpo, na alma e no coração de um povo que se contenta com pão e circo desde os antigos romanos.Ao viver num país tro pi cal "abençoado por deus e bonito por natureza", vejo-me inclinado a acreditar em mutações genéticas que ao longo dos séculos modificaram o DNA dos que vivem em continentes tropicais, muito sol, muita produção de melanina, de consumo de "águas ardentes" e de comidas exóticas típicas de culinárias como a africana e a indígena.

Corpos morenos amaciados pelo sol e pelas quentes noites de um verão eterno, assumem sua sensualidade despudorada em um mundo de festas pagãs e lascivas que lembram ritos antropofágicos primitivos.Nestes lugares e nestes momentos de festividades, não cabem ao meu ver os preceitos morais do filósofo de Konisberg, Kant, um dos pais da racionalidade europeu moderna. Nem europeus somos convêm lembrar aos habitantes destes novos-antigos continentes. Menos ainda seguidores das seitas cientificistas das ordens positivistas.Tais retalhos que me vêm à mente permitem reconhecer a dificuldade que temos em defnir quem é quem nest e mu ndo de alienações que são produzidas, inventadas, implantadas ou seja o que for, sei apenas que perseguimos vorazmente coisas que prencham as horas do dia, pois sem isto elas ficam insuportáveis para a grande maioria dos viventes. Portanto, "pão e circo" fazem parte, me parece, de mecanismos culturais que fazem o tempo passar... até que a morte aconteça.Que tal dar uma pensada nisso, meu querido amigo?Ciao
Albano Em 19/12/2009 08:53,



Cuarta noticia




Caro mio,O arquivo que me m mandaste é tão confidencial que eu não consegui abri-lo, não entendi o motivo, portanto vou ter que esperar até segunda para lê-lo e assim compartilha-lo com você. Não tem problemas, enfim depender de tecnologias dá nisso, não temos domínio sobre esta caixinha de surpresas.
Como andas? vejo que os planos para 2010 estão bem direcionados para Buenos Aires, isto me agrada porque tem a ver, no meu entendimento, com alguns fantasmas que te acompanham ao longo da vida. Querido amigo, dentre outras coisas entendo o "eterno retorno" como um prescrustar alguns lugares na memória onde ficam depositados os "esquecimentos" que têm a ver com o nosso passado pessoal, íntimo e ligado às nossas primeiras experiências com o mundo.

Algo que tem a ver com a família, com os amigos de infância, com as ruas e o casario por onde passavamos, enfim nossos primeiros olhares que ficaram depositados em nossos porões.Espero que faças esta caminhada, não olhando para o passado, mas recepcionando os "agoras" com que algumas imagens se apresentam.
Falo isto, espelhado nestes dias em que estou aqui em Recife deixando que o esquecimento se faça lembrança como um devir que se associa a outros devires de ontens, hojes e amanhãs desta confusa forma de sermos inifnitos em nossas infinitudes. Quero poder conversar contigo mais longamente sobre isso e no que pode acontecer com nossos olhares para o não sentido, para a des-ordem que insistimos em ordenar em dar sentido.
Saudades Albano Em 18/12/2009 18:06







Quinta Noticia

De: pepeamb Assunto: Re: noticias de RecifePara: "Luis Alberto Warat" Data: Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009, 2:22


Caro mio,Tua alma de jurista nunca te abandona, sempre tens uma réplica na ponta da língua, ou melhor, na ponta dos dedos que digitam. Tudo bem, nada sei de Santo Ângelo, sei apenas de Itaara e do grupo que participo. Verdadeiramente és uma lenda entre meus companheiros, uma lenda que eles se acostumaram a ouvir falar e a ler, isto quer dizer: a pensar teu pensamento amorosamente, humanamente, porque és uma lenda humana, palpável, que eles podem querer bem pura e simplesmente.
Nós dois, cada um a seu modo, adentrou nas memórias deles como estados febris que provocam alucinações e medos (medos que os seduzem porque os remete a um para além da mediocridade).
Casa Warat ou Casa Albano Nascente do Lago, são nomenclaturas que produzimos para abrigar nossos devaneios, nossos devires. São Casas como a do poeta que citei para ti: "era uma casa tão engraçada, não tinha teto, não tinha nada..." Esta é para mim a melhor descrição das n os sa Casas, elas são mimetismos nossos, abrigos desabrigados de dois libertinos (cada um a seu modo, é claro) e por isso fico sensibilizado por esta "carta de alforria" que me apresentas.

Esta viagem é nossa, fruto de invencionices próximas e distantes, mas nossas, são lugares onde nossas solidões não se sentem pertubadas, pois gostamos da solidão e não de solidão.Meus textos terão sempre a ti como primeiro interlocutor, os demais virão por acréscimo. Nossas Casas somos nós, tão somente nós, caro mio. E por falar nisso, que achas destes relatos intimistas que o Recife me provoca? Continuamos a dialogar ao longo deste meu retiro voluntário nestas plagas onde olhei pela primeira vez o mundo para o qual fui exilado.Ciao, Albano
Em 14/12/2009 21:49,






Sexta noticia




De: pepeamb Assunto: Re: noticias de RecifePara: "Luis Alberto Warat" Data: Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009, 14:33

Caro mio,Tenho acompanhado o novo calendário que apresentas para as tuas páginas, que bom estares dando férias parciais para as atividades rotineiras. Subi no meu fotolog um pequeno tema sobre a memória, que fiz pensando no dia em que vais subir para o teu fotolog minhas contribuições assim como as do Leopoldo, espero que te agrade.
Nesta minha estada intempestiva em Recife, tenho privilegiado reflexões pessoais dos devires que sou, nenhum "ego", "self", "eu" ou coisa que o valha, apenas deixando que a "ola", as "ondas" levem meu corpo para onde quiserem, pois a Mãe Natureza é sábia e assim a ela me entrego completamente. Se alguns autores fizeram inscrição no meu modo de ser, alimentei-me deles antropofágicamente os incorporando ao meu "eterno retorno".
As personas criadas são tão somente manifestações vistas da e na superfície.Deixei um alô no teu fotolog da Casa Warat sobre o encerramento da "filial" de Santa Maria, peço que o leia. Muitas das tuas mesetas atuais trazem depoimentos sobre autores que te influenciaram, fica me parecendo uma fragmentação progressiva de uma unidade chamada Warat, apenas lembro que os movimentos são contínuos e descontínuos, se fragmentamos devemos desfragmentar, mas você sabe o que faz...
Meu Velho Pescador melhora dia a dia e creio que logo voltará para o lugar onde ele aprendeu a olhar para o horizente nestes últimos sessenta anos: sua morada, sua casa. Aguardo notícias e novidades do projeto 2010. E daí, vai enfrentar o velho Saramago e seu Caim?CiaoAlbano
Em 10/12/2009 15:51, Luis Alberto



Septima noticia


Em qua, 9/12/09, pepeamb escreveu:
De: pepeamb Assunto: Re: noticias de Recife Para: "Luis Alberto Warat" Data: Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009, 17:03

Caro mio,Muito boa sua colocação sobre nossas diferenças, nossas diatribes (como falei meses atrás em texto do fotolog), nossa capacidade de dizermos desde sempre, que nunca fomos o mesmo, a mesmice, que não sou seu seguidor nem você o meu, somos sim atentos leitores um do outro.
Por outro lado vale correções, sou leitor de Guattari há anos e sempre o apliquei nos meus estudos de Ecologia, assim como Castoriadis e Daniel Cohn-Bendit. Quanto ao Deleuze o li como se lê a muitos autores "interessantes". Outra correção: seu o Guatttari que falas é o teu, ele é igual ao Guattari dos blogs dedicados a ele que eu leio, com as mesmas interpretações, tudo bem certinho, nenhuma novidade nem no teu Guattari nem no Guattari deles, que tenho acompanhado através do teu blog (que permite acesso aos outros blogs) e das contestações deles. Isto eu não entendo.
Mas quando tu usas conceitos guattarianos ou deleuzianos no mundo waratiano, percebo abordagens dife re nciadas, novas, waratianas. Enfim, o gosto é teu, a mania é tua e deixemos mais uma vez pra lá.Para concluir e quem sabe deixarmos este tema de lado eu te digo: prefiro ler Guattari e Deleuze e não seus interpretes, porque para lê-los uma pessoa de formação mediana não terá problemas, pode não ter saco, mas isto é outra estória, não é mesmo? Que tal, "Como ler Warat", por Luis Alberto Warat.
Assim muitos poderão acompanhar os deslocamentos maravilhosos que você faz em suas abordagens ao longo de sua intensa e extensa obra.Quanto ao teu comentário ao texto do meu fotolog "JANELAS", creio que uma mesma janela aponta ora para o corredor do hospital (que não é necessáriamente o corredor da morte), ora para o horizonte infinito do céu-mar. Basta pensar o olhar e não deter-se no olhar para não virar uma estátua de sal, como o deus do antigo testamento gostava de fazer com quem não o obedecia cegamente. Vale a pena dar uma lida em CAIM do ve l ho e sábio Saramago.Carinhosamente.
Albano Pêpe
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