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20 de noviembre de 2011

Waratiano, qual a sua sina?

Respondendo a essa pergunta, waratianos do Brasil inteiro atravessaram o sarau de encerramento do III Encontro Internacional da Casa Warat, em Goiás!!



Waratiano, qual a sua sina?

"Caminhar."
Milena Pinheiro, waratiana do Piauí, de Brasília...

"Minha sina é navegar ventos de poesia."
Alexandre Araújo, waratiano de Brasília.

"Minha sina é azul. Às vezes, turquesa; às vezes petróleo. Azul que muda de tom como os dias. Os dias também mudam de tom. Minha sina é misturada. Como os sons são misturados, mas são, também, completamente discerníveis pra quem sabe ouvir".
Fernanda Rezek, waratiana de Goiás.

"A minha é procurar a sina sempre. E a sua?"
Lala Maranhão, waratiana do Maranhão, de Brasília...

"A minha é viver as tensões postas pelos limites da sociedade."
Fabiana, waratina de São Paulo, de Goiás...

"A de abrandar estas pedras da academia cínica, a de tentar despertar os pinguins entorpecidos, a de querer arrancar a gravata e o terno cinza..."
João Telésforo, waratiano do Rio Grande do Norte, de Brasília...

"Estar entre o nada e algum lugar, uma viagem sem volta e sem destino..."
Dani Diniz, waratina do mundo...

“Jurado para morrer de amor"
Augusto, waratino de São Paulo, de Goiás...

“Algumas vezes a angústia nos inspirava. Aprendi com Lacan e Warat que a angústia era um sentimento que não enganava. Com ela e a partir dela se podia pensar o mundo, desde uma mirada que não excluía as demais. Havia sempre duas leituras possíveis e uma delas era uma leitura desapaixonada do amor. Uma leitura em que Vadinho era relegado à condição de refugo, quem sabe de um período próprio do calendário gregoriano: o carnaval. Porém, com Warat aprendemos que o carnaval não é uma data precisa e que a inspiração de saber dos limites, dos excessos e da possibilidade de reconhecer um simbólico existente, mas de conteúdo variado não era privilégio de surrealistas. Era uma possibilidade de enunciação em que poucos, todavia, arriscavam-se. Arriscar-se para amar o que pudesse acontecer. Borges de um lado como uma inspiração e de outro como um homem que submeteu o desejo (e a película os Amores de Borges mostra) à castração de uma mãe que amava demais. Talvez seja o dilema de todos os muito amados por suas mães e que não souberam fazer a sutura necessária para que o filho pudesse amar. Aí reside um trabalho que o filho sozinho não pode fazer. Vaga de amor em amor procurando o que não sabe. E a angústia não engana. Novamente. Warat faz falta porque nos sorria monalisamente. Do seu sorriso preenchíamos o que podíamos. O seu sorriso ficou. A angústia também. Angustiados e apaixonados. Seduzidos por objetos. O sorriso e a angústia de Warat nos fazem falta, embora com ele tenhamos apreendido que o objeto de amor precisava ir e voltar, como ele fazia, em cada um de nós. Se foi para não voltar, dizem uns. Entretanto ele não foi, mas ficou carnavalizando nossas vidas desgraçadas, de amor. Saudades Luis.”
Alexandre da Rosa, waratiano de Florianópolis/SC

A primeira vez que ouvi falar do professor Warat foi através de outro professor, Alexandre Da Maia, que me passou um "link" para o mundo Waratiano. Interessante que sempre busquei uma "carnavalização" do direito, tanto que os versos de "Madeira que cupim não rói" (Capiba - compositor de frevo e bacharel em direito), cantava com distinção ("queiram ou não queiram os juízes o nosso bloco é de fato campeão"), era como se eu quisesse afirmar: não me acomodarei ao mundo jurídico formal!  Assim, seguindo o desejo de confluir a arte com o direito pensava até que estava sozinha nesta caminhada... mas para minha surpresa encontro vocês, amigos waratianos!
Hoje tenho o primeiro exemplar que consegui comprar pela internet, A Rua Grita Dionísio!, moro no sertão pernambucano, ensino direito no curso de administração como professora bolsista, tento entrar no mestrado da UFPB como aluna efetiva e quem sabe trabalhar com o pensamento Waratiano!
Bem, concluo agradecendo a Carmela Grune, que através do Jornal Estado de Direito me fez conhecer um pouco do pensamento de Warat através dos textos dele de seus "pedacinhos" ainda vivos e ativos neste mundo!
Synara de Araújo, waratiana de Salgueiro/PE


Há semanas que “Epistemologia e Ensino do Direito” está despropositadamente em cima de minha mesa. Quando eu sentava, olhava a todos os outros livros, menos esse. Porém, quando eu passava os olhos rapidamente, via apenas o olhar sonhador, pensativo, duvidoso, crítico estampado na capa do livro. Hoje parei e olhei apenas para ele, sem pensar nos outros que estão sobre a mesa. Recordei do que Jaque me pediu e do que lhe falei e, mesmo tarde, não poderia deixar de compartilhar o impacto que Warat causou nas minhas mais diversas relações com o mundo. Com o mundo dos sonhos, com o mundo real, enfim, com o mundo das pessoas, em que o amor é tomado por baixo, como pressuposto. Luis fala(va) de amor, de desejo, de alteridade como sentidos e sentimentos que representam o que nos é natural e o que não pode ser abandonado, sequer nos pensamentos. Não. Não pense que nos tornamos seguidores desmedidos de Warat. As palavras desse homem que impactou a minha cabeça não são meras pregações, são críticas de um rigor teórico distinto, embebidas numa sutil acidez que as tornam elegantes e que realmente apaixonam, talvez principalmente as mulheres (de Warat). E o direito? Certo dia vieram me dizer que Warat é desconexo com o direito. Realmente. Não existe uma conexão necessária entre os dois. Porém, existe uma aproximação que é pressuposto de toda a fala de Luis. Sua linha de pensamento gira em torno de um eixo, que é o direito. Esse é o ponto de partida e, por mais alto e longe que voe, também é o ponto de chegada. No meu íntimo e pelo que conheço da obra, sinto em cada manifestação que a preocupação maior é com a sociedade, com as pessoas em si e de que forma essa inquietação pode ser transportada para o campo jurídico. Não é tarefa fácil. Podíamos simplesmente seguir a linha dos tradicionais “doutrinadores” e pensar a sociedade como nosso cliente principal, como um fato que nos serve de objeto de estudo. Só que isso não é possível, aliás, é de toda maneira impossível. Primeiro, porque o termo “doutrina” traz uma sensação de aprisionamento, ou seja, remete a um texto fechado, que só se abre para atualizações e não para as verdadeiras mudanças; e segundo, mais relevante talvez, porque a sociedade está longe de ser considerada nossa cliente, nada mais somos do que partes dela e ela parte de nós. Temos que refletir a partir do lugar em que nos encontramos e não a partir de um ponto de vista que colocamos necessariamente como externo e desvinculado do direito, isso seria uma verdadeira falácia. Da mesma forma, é preciso estar aberto ao outro, ao desconhecido e recebê-lo sem idealizá-lo, isso sim é importante. Talvez seja a partir disso que devamos repensar as nossas bases e sempre questioná-las sobre fundamentos diversos para que não se torne estática e intocável. Aliás, o toque, o toque muda tudo, ele nos mostra como uma palavra e uma pessoa podem ser tão sensíveis. Deixemo-nos tocar e ser tocados. Toquem-se agora e sintam que são todos sensíveis e que podem sentir o outro. Leiam um texto diferente e sintam que suas bases são tão sensíveis quanto sua pele. Essa filosofia waratiana realmente me excita e acho que vocês, se ainda não se sentem estimulados, sentir-se-ão no Cabaret que os aguarda em breve (risos). Só tenho a dizer que aproveitem esse momento, porque isso não se compra, apenas e apenas se vive. Tenho certeza que essa experiência nunca será apagada de suas memórias... assim aconteceu comigo.
Saudações a todos os meus amigos e aos que ainda não conheço, mas que se aproximam.

PS: “Estou pronto como um eterno viajante que parte e volta sem nunca ficar, para amar e continuar disponível para a vida”. Luis Alberto Warat, em Amor tomado pelo amor.

Isabela Borba, waratiana de Florianópolis/SC.


17 de abril de 2011

A história do Cabaret Macunaíma


Este é um valioso registro do Cabaret Macunaíma realizado em 2009, em Buenos Aires.

Nele, Warat conta a história do famoso cabaret, e dá as boas-vindas a todos!

Para os que participaram, fica a lembrança. Para os que não foram, a curiosidade.

O que parece existir em comum entre todos é a vontade de dar continuidade a essa incrível e mágica proposta de sensibilização!

No mais, não é possível contar. É necessário sentir!

A semente foi plantada. O rizoma cresce. E os devires certamente virão!


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16 de noviembre de 2010

Carta de Buenos Aires 2010



Carta de Buenos Aires, Reunião Internacional da Casa Warat.



Buenos Aires, una noche fría a finales de octubre de 2010.



Carta literária do Encontro Anual da Casa Warat, ocorrido nos findos dias de outubro, do ano de 2010 (dois mil e dez), en “Mi Buenos Aires, tierra florida”. A reunião começou um dia após o Cabaré Macunaíma, realizado nos arredores de Maipú. Na capital argentina, o frio era marcante e o vento deixava ainda mais gélidas as noites ébrias. Na envolvente mistura de calor humano e frio porteño, ainda inebriados pela noite em Cabaré, deu-se início a reunião.

Estában Isabela, con su hermoso pelo rubio, Leilane, con sus belos ojos pintados, Mariana con su pelo rojo claro y sus 19 años, y Jaqueline, con su pelo nero, como los de Paula. Quizás era de ellas que hablava Chico Buarque quando escribió la canción “João e Maria” ("a noiva do caubói era você além das outras três…"). Ah si, estában también los chicos: Levy, con su buen humor y su abrazo colectivo, André, con su barba, sus 20 años y su sensibilidad, Eduardo, con sus rizos pero sin su sombrero porteño, Leopoldo, con el cuidado con los otros que solo él lo tiene, argentino que habla palabras que todos las compreendem. Y claro, estaba nuestro queridíssimo Luis: lleno de energia, de projectos, com sus ideas increíbles, su poder de congregar personas y de instaurar una atmosfera mágica al su rededor. Brindava a todos palavras estéticas y afectivas que, como siempre, nos encantavam y nos nutrían a todos.

O local escolhido: El Gato Viejo. No meio do improvável e do impossível, fez-se um restaurante em delírio na antigua estación de tren, no atelier de Carlos Regazzoni. Levy pede uma garrafa de vinho, quer apresentar a todos “Angelica Zapata”. Alguns preferem refrigerante, como Isa, Leilane e Mariana. Antes de chegarem os pratos, Leopoldo lança a primeira pergunta para instigar a reflexão: ¿qué nos une?

Jaqueline logo pega papel, pedacinhos de uma cartolina amarela, cheirando a tabaco, anteriormente cortados, e distribui para todos que estão na mesa, para que possam escrever suas reflexões. As respostas, que saem de forma fragmentada, complementam-se. Leopoldo lê os bilhetes escritos em espanhol, Jaqueline aqueles em português.

A resposta era polifônica, com argentinos hablando português y brasileños falando em espanhol, mas parecia ressoar uma só voz. O que nos une? La vontad de construir un mondo en donde cada uno es un encontro con los otros. Nos une la búsqueda. Pela realização livre do espírito. Pela intersubjetividade perdida na modernidade. Por uma nova sociedade, mais humana e menos castradora. Por puertas hacia nuevos mundos. Por afinar sensibilidades. Pela despinguinização dos espíritos dos estudantes e por um reconhecimento que não precisa de mitos, teorias, hermenêutica e lei para se realizar. Nos une el deseo de transformar. A crença no poder das alterações moleculares. Nos une la afectividad y la necessidad de construir un mundo diferente.

Nos une a recusa da desumanização e a esperança de mostrar que é possível viver afetivamente com os outros. Nos une a leveza das relações que se constituem como um respeitoso entre-nós. Nos une a inquietação perante o mundo e a tentativa constante para melhorá-lo e nos melhorar como seres humanos sensíveis. Nos une el interactuar entre nosostros para enriquecernos en nuestros espíritos para sermos mejores personas y brindarnos a nuestros semejantes.

Nos une a busca do entendimento de nós mesmos a partir do Outro e a busca do entendimento do Outro a partir de nós mesmos. Tomar o Outro a partir de nós mesmos. O Outro como uma extensão do Eu. A exsurgência do entre. A aurora da sensibilidade. A nascente do sensível. Nos une la tentación de unir/nos en una subjetividad que nos pertenezca para sustener/nos. No nos une el amor sinó el espanto (Borges). Nos une a vontade de um pluri-verso de significações voltadas sempre ao novo, à constante transformação. Nos une a sensibilidade, sabermos que não estamos sós, mas juntos pela construção da vida carnavalizada e repleta de sentimento de amor.

Nos une a tentativa de fazer triunfar a alegria sobre a tristeza, a pulsão de vida em um mundo em que prevalece a pulsão de morte. Nos unimos para compreender e transformar a pedagogia, enquanto momento de descobrir e redescobrir a nós mesmos e o Outro, numa perspectiva criativa, emancipatória, amorosa, erótica e transformadora. Qué nos une es el sentimiento de querer ser no un “yo” o un “otro”, sinó un “entre”. Una relación, un devir.

Pausa. O primeiro prato chegou: peru, já passado por outras mesas e bocas, temperado com cenoura, café e chocolate. Regazzoni cria as receitas de forma espontânea e plástica. Era o prato frio, depois viriam os quentes. Warat elogia o vinho. André descobre que é de uma safra de 1995. Levy e André tiram foto com o vinho, que não é tomado em taças convencionais, mas em pequenos copos de vidro. Tudo era inesperado e surrealista, como tinha de ser. Leopoldo, entonces, hace la segunda pregunta: ¿qué nos molesta?

Nos molesta el poder, el paradigma racionalista, el robo de la sensibilidad. Nos molesta o desejo pelo consumo, o fazer-se no consumo. Os micro-fascismos. A reverência a tradições vazias, a estética da forma burocrática de destruição do eu pelo enquadramento a padrões, hábitos copiados, sonhos pasteurizados, vidas vazias e o hedonismo que não transcende a forma. Nos molesta a insensibilidade, a indiferença. O sentir-se sozinho em lugares cheios. Nos molesta a pressa com que vive, sem se prestar atenção ao que se sente e ao que o outro sente. Nos molesta a repressão do espírito em todas as sua manifestações.

Nos molesta a idéia de degraus invisíveis que nos afastam – pois paramos de nos ver como iguais, como humanos. Nos molestan las divisiones, las separaciones, las etiquetas. Nos molesta la falta del deseo para perseguir una passión que nos mueva el corazón. Nos molesta o uni-verso estático e imutável, o que não tem devir. A tentativa de transformar sentimento em racionalidade, a modernização que transforma humanos em objetos homogeneos e pasteurizados.

Nos molesta uma vida sem poética, sem sonho, sem imaginação, sem criatividade. Nos molesta el egoísmo, la falta de solidariedad. Nos molesta o imperativo da razão, uma razão fria, cartesiana, que nos amputou a sensibilidade, que nos anestesiou a todos.

Segunda pausa. O segundo prato chegou: em forma de pato, vindo direto da cozinha para nossa mesa, sem escala e sem escolha. Depois veio polvo e também javali. Levy acende o charuto. André, o cachimbo. Leilane, o cigarro. Bééééhhh… Em meio à fumaça dos sonhos e à voz inebriante da mulher mais divertida e fogosa do recinto, entovam-se cantos líricos y abrazos colectivos. As luzes apagadas incendiavam delírios cabaréticos. Havia muitas cores, nas esculturas, nas paredes da sala, nos olhares trocados, nos livros espalhados, nas cidades internas.

Un despliegue de sensasiones diarios que se desdoblaran y hablaran con figuras en lenguajes del amor. Eram velas que dançavam um samba infinito, em meio à cidade do tango. Era la sensasión de estar delante un mar totalmente desconocido de colores diversos y que permite percibir una línea en el horizonte, sin que sea possible identificar su inicio y tampoco su fin. Em Buenos Aires encontrou-se esse mar. Um delírio? Sólo para los que no creen en los devenires, para los que se quedan en la racionalidad hermetica, cerrada en si misma. Sólo para aquellos que no perciben que, si no hay un “entre”, entonces están solos y nada són.

Cartografamos sentimentos, devires em meio à noite estrelada. Sensasiones fuertes y lindas, de alteridad y fraternidad. Luces, musica, danza, poesia, abrazos, besos y emoción. Reconheceram-se, desde logo, pelo olhar. Aquilo não tinha fronteiras, a amizade. Nenhuma língua ou sotaque seria capaz de impedir o entendimento, e o sentimento. O encontro puro. Sutil. O “entre” que se formou. O olhar bastava. A vontade bastava. A alegria bastava, assim como o sentimento de vida. Estava vivo. Juntaram-se a nós Inês, Glória, Marta Gama, André Coppeti, Alexandre da Rosa, Albano Pepe. Nem todos fisicamente, mas a nós se uniam pelo sentimento, presença essa que é ainda mais vivaz.

Todos formaban un grán rizoma, em que se diluem as fronteiras entre o virtual e o real. E rapidamente construíram-se idéias de esperança. Não havia censuras e o acolhimento foi completo. Reinava, soberano, o apetite de mudar, de amar, de viver. Não poderia existir construção vazia em meio tão fecundo. Naqueles papeles amarillos despejaram-se desejos comuns, que todos compartilhavam sem saber, mas que podiam intuir, sentir. Verdadeiro encontro. Revolução molecular.

A cidade ainda chovava em luto, mas a alegria reinava absoluta na Casa que construía esperança. A Casa que não tem uma casa. Não tem porque não precisa ser física. Ela é em qualquer lugar, onde se estiver, onde se quiser. En qualquer lugar donde se creea en en poder transformador de la sensibilidad. Nossa casa é movil, é nômade. Ela dança em ritmo de samba. Dança tango, flamenco y mismo la musica gitana. É uma fusão de cores, de sons, paladares e sentidos. É pura sensibilidade e está sempre aberta para quien crea en la revolución de un abrazo. De um beso. Quien así creer, entenderá (sentirá) essa Casa.

A nossa Casa é a anti-casa. O inverso do tijolo racional, do cimento solidificante, do concreto estático, da parede segregadora, do teto hermético, do chão geométrico, da porta com trancas, da janela com grades. A negação da casa cartesiana, morada da Razão, essa insustentável, estúpida e inválida habitação.

A nossa Casa é a Utopia, no sentido literal da palavra: o lugar nenhum. Ao mesmo tempo, é um eterno devir de imaginações poéticas, de possibilidades do que foi, do que nunca é e do que pode vir-a-ser. É a continuidade do eu no outro. Declaramos que o ser-em-si-e-para-si está morto. A Vida se dá no ser-com-outro, no ser-para-outro, no ser-entre. E ela não admite racionalização, solidificação, objetificação e reificação. A Casa é a nossa resposta a um mundo no qual a Vida se tornou utópica. A nossa Casa é às avessas: não somos nós quem nela moramos, mas é ela quem em nós habita.

Substitui-se o tijolo pela sensibilidade, o cimento pelo abraço, o concreto pelo beijo, a parede pela poesia, o teto pelo tato, o chão pela arte, a porta pelo outro e a janela pelo olhar. Constrói-se a casa waratiana, a casa nômade. Y que está abierta a todos los que en ella quiseren entrar.
Carta literária e patafísica, lida e passada numa noite fria, em meio a catacumbas, ao inesperado som de um piano…





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2 de noviembre de 2010

dias waratianos




Crónica abierta del encuentro de la casa nómade


Notas de un diario por demás incompleto...


Martes: Rizoma de Tarde. Llego y Luis me presenta la primera invitada, encuentro, reconocimiento, sonrisas, se diluye la frontera entre lo virtual y lo real. Warat habla, escuchamos, diálogamos, a la hora de comer: empanadas de viento. Más tarde, estación de café con Lei, La Farola brilla, coincidimos: quien crea en la revolución de un abrazo entenderá (sentirá) la Casa.

Miércoles: Día atípico por demás, todo cerrado, censo nacional. De repente la noticia de Néstor nos deja duros, sin palabras, congoja, dolor colectivo, pero el reconocimiento y agradecimiento hacia él comienza a expresarse en multitudes y le gana la batalla a las sombras. Levy, Mariana y André entran en escena, caminata nocturna, dolor, respeto, silencio.

Jueves: Llega Jaqueline. Almuerzo en los patios de un monasterio de 1745. Es Santa Catalina de Siena, primer claustro para mujeres de la ciudad de Buenos Aires, arquitectura colonial, monumento Histórico Nacional.
Tarde de preparativos, papeles amarillos, despliegue de libros, todo listo para el viernes.Cena diferente e inesperada en el atelier. Trenes, escultura, olor a comida, canto lírico y beeeeeee.

Viernes: Cielo plomizo, gris y lluvia, el cielo llora, día del cortejo fúnebre.Apertura oficial del encuentro: Andamios, que nos une? Que nos incomoda? Que nos gustaría hacer juntos?
Segundo momento: Llegan las chicas, Sexo No harte. Despliegue de sensaciones diarios que se desdoblan y hablan con figuras en lenguajes del amor. Campana con velas, coordinación de equipo y pasión por el proyecto, se sintió, se entendió, compartimos, construimos. Gracias por estar.

Más tarde en un Cuartito se escuchó un canto de corazón: ¡parabens a voce!

Sábado: Día de aniversario. Catacumba en Puerto Madero: Gregorio nos llevó por los caminos de la salud, esquiso, política y educación. Isa se suma, se integra, es una más muy rapidamente. El atardecer parece de invierno.
Noche de Cabaret Macunaíma: Muchos amigos, Warat pleno. sensaciones fuertes y lindas. Luces, música, danza, poesía, abrazos, besos y emoción. Parabens fuerte. Delirio. Es cierto, el cabaret es para ser vivido, y no para ser relatado, punto.

Domingo: Palermo se muestra de día, con sus ropas, pastas y jazz callejero. Eros nos recibe. Llega la tarde en la casa, té y café con la calidez de Inés, momento de cierre y aperturas, redes que se tejen, presente y futuro, somos distintos, evaluación con emoción. Invisibles que se sienten. La TV anuncia que Dilma es presidenta. Brindis. Despedidas? Hace mucho comprendí que no existen. Abrazo colectivo, los quiero!



Leopoldo

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21 de febrero de 2009

Una maquina de vida que le canta a la tristeza


No quiero entrar en polémica estamos colocando mi experiencia personal, mis relaciones entre cuerpo y razón y mi convicción, que va en aumento, de que el arte de tener una sensibilidad abierta a lo nuevo, tragresora del lugar común reificado, solo se aprende en clima de cabaret.
Entre los personajes hedonistas que construyen esa libertad que se respira en esos lugares. Para mi el hedonismo de un cabaret tiene mas valor que todo lo que pasa en los claustros, los saberes enclaustrados de las universidades.
En los cabaret tiembla (se avalan) las certezas sostenidas por la moralina beata. La contramoral ha sido poco estudiada y eso a mi me interesa, el cuerpo es una gran razón, también poco estudiada, es una razón que solo los hedonistas revelan haciendo vivir sus cuerpo.


Amar y participar de un aula es la misma cosa,
si no se puede crear un clima mágico,
lo mejor es desistir...

LAW


6 de mayo de 2007

Cabaret Macunaíma UFRJ





Cabaret Macunaíma realizado no antigo Palácio Conde dos Arcos, onde hoje fica a Faculdade de Direito da UFRJ.








21 de abril de 2007

Cabaret Macunaíma













Essas fotos são do primeiro Cabaret Macunaíma realizado em Salvador, o décimo primeiro já realizado.


Idealizado por Warat e seus alunos do Mestrado em Direito da UNB, de Brasília, trata-se de um ambiente criado para despertar a sensibilidade no corpo dos operadores de direito.

É Pura arte dissolvida na vida, um espaço para fugir dos lugares comuns e soltar a mente e o corpo. Em poucos minutos os participantes apresentam poesias, cantos, danças, fazem diversas intervenções que vão cativando o público presente. Este movimento tem feito tanto sucesso que ja recebeu diversos convites para realização em outros lugares do Brasil.


Estamos planejando a realização de um Cabaret Macunaíma em Florianópolis, em breve! Fique de olho!


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