6 de octubre de 2009

Um andarilho passou...


Na encruzilhada onde plantei minha morada,passou "o andarilho", não sei bem se veio pela direita ou pela esquerda, pela de cima ou pela de baixo, sei que passou. Caminhei ao seu lado o mais próximo que podia para não atrapalhar seus passos. Ficamos lado a lado e nada falamos. Deixamos tão somente que nossas vozes silentes ocupassem aquele átimo, aquele momento único. Bem sei que não buscamos a verdade e a luz. Bem sei que nada temos a falar, pois nada ensinamos a ninguém, há muito renunciamos a esta arte. O que bem sei é que nos sabemos ancestralmente.
Nos olhamos, olhares amigos e desprovidos de promessas. Nada dizemos pois não temos projetos públicos e objetivos, nossos projetos são a projeção de nossas sombras/luzes. Sem verdades a anunciar deixamos que nossa vozes espalhem-se em meio à natureza.
O véu da noite começa a nos envolver deixando o crepúsculo dominar o horizonte. O cheiro das flores emana de todos os lugares, os grilos cantam o cair da tarde e o mistério mais uma vez se manifesta, inefável.
Vejo o andarilho apressar o passo e sua imagem começa a desaparecer no horizonte, para voltar, quem sabe, qualquer dia...


Albano Pepe

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