2 de junio de 2014

Doutoranda Baiana em Cátedra Luis Alberto Warat - URI

Mariana Rodrigues Veras


Doutoranda baiana busca a Cátedra Luis Alberto Warat para sua pesquisa



Localizada na Biblioteca da URI, a Cátedra Luis Alberto Warat é constituída pelo acervo doado pela família de Warat e  reúne mais de cinco mil volumes, com obras dele e de outros autores que formaram a sua base intelectual
A Cátedra recebe visita de pesquisadores de diferentes níveis e esta semana, a baiana Mariana Rodrigues Veras está em Santo Ângelo realizando levantamento do acervo que servirá de base para sua pesquisa. Ela é doutoranda na Unisinos, onde tem como orientador o professor José Luiz Bolzan de Moraes.
“Quando fiz a seleção para o doutorado, já sabia que encontraria os principais interlocutores de Warat  aqui no Sul, assim como sabia da existência da Cátedra em Santo Ângelo. Fui orientada a buscá-la pelo professor Leonel Severo Rocha”.

Formada em Direito pela Universidade Jorge Amado, em Salvador, Mariana foi assistente de Warat logo após sua graduação e conviveu com o jurista  em 2005, quando fez seu mestrado na Universidade de Brasília. “Ele integrou a banca do meu mestrado e foi orientador do professor José Geraldo de Souza Junior, meu orientador”.

Encantada com  o acervo que começou a pesquisar, Mariana defende que “esta relíquia é muito valiosa porque parte de sua obra foi publicada na Argentina e não circulou no Brasil. Nas universidades federais, na PUC ou na UnB só encontro as publicações brasileiras. Até o momento, suas publicações iniciais só são encontradas aqui na URI Santo Ângelo. E para mim, há o valor acadêmico e também o simbólico: eu estou tocando um livro que o mestre utilizou. Suas filhas decidiram doar o acervo  ao país que ele muito amou. Tudo isso tem muito de afetivo.”

Mariana revela que no doutorado que está fazendo na Unisinos, sua hipótese inicial é de que “o pensamento e o aporte teórico de Warat  continuam tendo potência para a compreensão de questões que permanecem em aberto no âmbito jurídico. Questões que hoje se discute muito, ele já apontava nos anos 80, como a interface entre direito e literatura; questões de mediação e conflito; a problematização de questões vinculadas à interdisciplinaridade, ao estabelecimento de diálogos possíveis entre áreas do conhecimento; a ruptura do que ele denominava senso comum teórico dos juristas – tudo isso já era anunciado por ele. A grande questão é que ainda não alcançamos uma práxis do pensamento Waratiano”.

Mariana enfatizou ter sido muito bem acolhida na URI. “Estou feliz por estar aqui. Muita gente lá no centro do país  tem curiosidade sobre a Cátedra, tem vontade de vir pesquisar. Mas é difícil, pelo fato de vivermos num país com dimensões de continente.”

Quem foi Luis Alberto Warat

O jurista argentino Luis Alberto Warat, radicado no Brasil durante a ditadura militar na Argentina e falecido em dezembro de 2010, era Doutor em Direito pela Universidade de Buenos Aires e pós-doutor em Filosofia do Direito pela Universidade de Brasília. Publicou mais de 40 livros e lecionou por mais de 40 anos, principalmente no Brasil, em universidades no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraíba, Goiás e Bahia, como professor titular e visitante.

Mantinha, com outros professores argentinos e brasileiros, membros do grupo Casa Warat, um blog com textos, artigos e reflexões sobre direito e arte – cinema, teatro, dança, pintura e fotografia. O objetivo: refletir sobre a recuperação da sensibilidade e a melhora  da qualidade de vida e da convivência, “pensando el mundo desde otros lugares que impliquen puntos de fuga de la razón cientificista”.

Em um de seus textos jurídicos mais relevantes, O Saber Crítico e Senso Comum Teórico dos Juristas, Warat valoriza o desenvolvimento de um discurso crítico na ciência do direito.

A Cátedra Luis Alberto Warat foi inaugurada na URI em outubro de 2012, com a presença de sua filha Giselda Warat e está disponível para pesquisas na Biblioteca da URI, prédio 10.



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