10 de enero de 2013

Por quien cantan las sirenas (1996)




Reseña


WARAT, Luis Alberto.
POR OUIEN CANTAN LAS SIRENAS / INFORME SOBRE ECO-CIUDADANIA. GÉNERO Y DERECHO - INCIDENCIAS DEL BARROCO EN EL PENSAMIENTO JURÍDICO.
Joaçaba / Florianópolis: Edições UNOESC / CPGD, 1996.2


Enhorabuena! Finalmente temos um livro de Luis Alberto WARAT publicado no Brasil e em espanhol, sua língua de origem. Um espanhol carregado de ex-pressões brasileiras e argentinas, verdadeiramente latino-americano, demonstrando como são tênues as fronteiras geográficas assim como na letra de Caetano Veloso: Flor do Lácio Sambódromo/lusamérica Latina em pó/ o que quer/ o que pode/ Esta língua?

Conta-se que na Grécia Antiga, um oráculo predissera às sereias que elas viveriam o tempo em quefpudessem reter os navegadores através de suas vozes; caso um único passasse, sem ficar preso para sempre em seus encantos, elas mor-reriam. Então: as sereias cantam por elas mesmas, para sobreviverem e assim são estes escritos de WARAT, dizem respeito à sua (e também nossa), própria sobrevivência.

Seu ponto de partida?
A necessidade da busca de um saber que possa intervenir y operar en esa vida Del cambio permanentemente sorprendente, onde velhos saberes apenas nos aprisionam.

Unindo suas reflexões através do fio do encanto - representado pela literatura e cinema que permanentemente são referidos em seu texto - e das angústias provocadas pelas profundas mudanças a que estamos submetidos, o autor reúne aqui dez artigos e um apêndice. Como ele mes-mo gosta de dizer, as vozes silentes em seu texto, são entre outras: Freud, Guattari, Deleuze, Pregogine, Bacheiard, Leford, Morin, Eco, Emiliano Galende, Sueli Rolnik, Baudrillard, Julia Kristeva, sem esquecer Cortázar, Pessoa e Borges.

Na explosão de metáforas em que seu texto tranforma-se, o autor busca dentro de si e no seu exterior a confirmação de suas teorizações, dentro de uma linha constante onde três temas são recorrentes: a ecologia do ponto de vista do cidadão – ecocidadania -, o gênero e o direito.

Por eco-cidadania entende a união entre ecologia e cidadania sendo esta última compreendida em seu sentido mais amplo, “como uma forma solidária de encontrar-se, autônomos, frente à lei, de exigir o cuidado público da vida” (p. 26). A busca deve partir da ecologia na medida em que esta visa melhorar não só as condições ambientais, mas também as sociais e afetivas da existência (p. 23).

Uma das pontas deste iceberg que é o nosso mundo em constante mutação, surge com a cibernética. Assim, ele descreve e recomenda cuidados frente a esta nova realidade:
Algo así como la búsqueda de los estilistas del saber, que nos permitan encontrar el equilíbrio entre lo externo (asumido como sociedad real) y la sociedad de los simulacros y las virtualidades potenciales. Estilistas que también sean dietólogos y nos ayuden en una dietética de la información. Nos salven de un exceso aniquilador (lacibergordura)

E a partir da angústia que ela lhe cria, tenta estabelecer tendências prospectivas, faz recomendações mostrando outro caminho, que ele presume ser a ecologia (p.58).
As questões de gênero vinculam-se à eco-cidadania, dado que nesta esfera ocorre a “interpelação recíproca do masculino e do feminino como ‘condição redefinitória’ do sentido da ecologia, a cidadania e a subjetividade” (p.23). É neste ponto em que brilhantemente afirma: Los hombres no se preguntan que es ser hombre. Ellos se preguntan (dando por descontada la respuesta, por la ley de la masculinidad) si son suficientemente hombres. La hombría siempre cuestionada, permanentemente ahí al borde de su descalificación. Esto genera un imperativo que legitima el exceso como comportamiento reiterado. El exceso confirmando la identidad: la valentía convertida en temeridad, la autoridad en autoritarismo, la competencia en agresión y la omnipotencia en el lugar de la muerte o la fragilidad (p.105).

Baste este pequeno trecho para vermos que, em suma, temos novamente uma releitura aguda e sempre surpreendente da condição humana e o equilíbrio ser/natureza do ser/natureza. Simplesmente imperdível.

Resenha de Daniela M. Cademartori, doutoranda CPGD/UFSC e Profª UNISUL

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