5 de enero de 2012

sensibilização


Educação erótica

Participei de três cafés filosóficos promovidos pelo Dr. Luiz Alberto Warat, um aqui em Passo Fundo e dois em Buenos Aires. Nas três ocasiões ele mostrou sua preocupação com o descalabro em que se encontram as universidades, que cumprem criteriosamente a proposta cartesiana, ou seja, que produzem conhecimento de forma fragmentada, onde nada dialoga com nada.


O que me impressiona no Dr. Warat não é a forma consistente com que critica, mas a solução que ele acredita seja a mais adequada. Discutimos nas três ocasiões o que ele chama de educação erótica, dionisíaca. Ele propõe a sensibilização das pessoas, pressuposto para o que Henrique Dussel chama Alteridade (relação rosto a rosto). A partir do que discutimos e do que aprendi e apreendi, pus-me a pensar na forma como fui educada.


Fui aluna de escola particular de confissão católica, promotora de uma educação vitoriana, moralista e excludente. Fui ensinada que o corpo é a morada da alma, duas coisas completamente diferentes e com objetivos diferentes. O corpo serve para conspurcar a alma e a alma sofre manchas causadas pelo corpo, chamadas pecado. Por causa do corpo, a alma pode ser condenada para toda a eternidade, motivo pelo qual, quanto mais o corpo sofrer, mais será purificado e mais chance terá de um dia ressussitar, juntar-se à alma e subir aos céus.


Aprendi, assim como a maioria das pessoas no ocidente, que nossos desejos, nossos ímpetos, nossas satisfações carnais são condenáveis. O que se conseguiu com esse tipo de educação foi a castração de tudo o prazer físico em favor do que a Igreja impunha como correto e adequado.


Somos pessoas adestradas para servir ao poder, pois, com a promessa de outra vida no céu, induziram-nos à resignação. Isso me faz lembrar de Michel Foucault e seus três volumes da História da Sexualidade, onde, vasculhando a história de uma forma totalmente nova, ele faz um resgate da criação das ciências e da construção da ideologia católica relativa à sexualidade humana. Segundo ele, as ciências e a igreja valeram-se do discurso sobre a sexualidade para produzirem conhecimento e, consequentemente, construírem uma engenharia de poder. Fomos induzidos a falar sobre nossa sexualidade nos consultórios e nos confessionários, tendo como resultado uma produção de verdades e conceitos do que seja "normal" em matéria de sexo. Tudo o que foge desses padrões é anormal, patológico e anadequado.


Das minhas reflexões a partir do Dr. Warat, chego à conclusão que sofri uma educação que Nietzsche chamaria de apolínea e oposta à educação dionisíaca (expressão nietzscheana também), proposta pela escola sensível discutida nos cafés filosóficos.


Estou dando tratos à bola para encontrar uma forma de concretizar a escola surrealista do Dr. Warat, onde, segundo ele, construiremos o que antigamente se pensava ser a vida boa.


Sueli Gehlen Frosi - 13 de novembro de 2009

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