9 de agosto de 2011

Manifesto Canibal Dadá


Por: Francis Picabia

Todos vocês são acusados; levantem-se. O orador só pode falar se vocês estiverem de pé.
                De pé como para a Marseillaise,
                de pé como para o hino russo,
                de pé como para God save the king,
                De pé como diante da bandeira,
                Enfim de pé diante de DADÁ que representa a vida e que acusa a todos vocês de amar por esnobismo, no momento em que isso custa caro.
                Vocês sentaram todos de novo? Tanto melhor, assim irão me escutar com mais atenção.
                Que é que vocês fazem aqui, fechados como ostras sérias – pois vocês são sérios –não é verdade?
                Sérios, sérios, sérios até a morte.
                A morte é uma coisa séria, não é?
                Morre-se como herói ou idiota, o que é a mesma coisa. A única palavra que não é efêmera é a palavra morte. Vocês amam a morte para os outros.
                À morte, à morte, à morte.
                Somente o dinheiro é que não morre, ele apenas sai de viagem. Ele é Deus, aquele que se respeita, personagem sério o dinheiro – respeito das famílias. Honra, honra ao dinheiro; o homem que possui dinheiro é um homem honrado.
                A honra se compra e se vende como o rabo. O rabo, o rabo representa a vida como batatas fritas, e todos vocês que são sérios, vocês fedem mais que bosta de vaca.
                DADÁ, este não cheira a nada ele é nada, nada, nada.
                Como as esperanças de vocês ele é: nada
                como os paraísos de vocês: nada
                como os ídolos de vocês: nada
                como os artistas de vocês: nada
                como os heróis de vocês: nada
                como as religiões de vocês: nada
                Vaiem, gritem, torçam o meu pescoço, e depois, e depois? Eu direi ainda que todos vocês são idiotas. Dentro de três meses, meus amigos e eu venderemos nossos quadros a vocês por alguns francos.

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