15 de febrero de 2011

O Judeu errante e o vagabundo



"Tenho que tratar de ser um nômade enraizado, um nômade com geografia própria.
Existem âncoras originárias, se nos perdemos delas nos custa vagabundear pelo mundo, somos um transeunte aberto a novas âncoras. Não podemos ser como um judeu errante, melancólico pela terra perdida, querendo recuperar a terra prometida, buscando unicamente ancorar-se na palavra,porém sem permitir que os teritórios novos em que transita o territorializem deixando-lhe novas marcas na memória.
O vagabundo tem que construir recordações por onde passa. Minha geografia biográfica não pode ser um cemitério povoado de fantasmas. Para ser um sujeito dono da minha própria Intimidade eu tenho que fazer doce de minhas recordações. Incorporá-las à minha biografia".

Luiz Alberto Warat ( A rua grita Dionísio, p.96)

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