30 de junio de 2010

Livro de Cabeceira



Por Marta Gama

Imagem: Matadeiro/Florianópolis

Aspiro tão fortemente à liberdade, ainda que não possa vivê-la radicalmente.
receio tudo aquilo que mesmo aparentemente tenha um feição de definitivo.
O definitivo cheira à morte...
Detesto tudo o que me amarra, o que me prende, o que me territorializa, o que me nega a possibilidade do novo, de viver outras vidas, de ser outras pessoas.
Gosto do mambembe, do precário, do nômade, do sempre poder a ser.
De esperar algo que nunca vem.
Da esperança, do sonho, da ilusão.
Elas preenchem assim meu dia, que floresce sempre com uma proposta nova, onde tudo poderei ser!.
A serenidade, a tranquilidade, a certeza me indagam sobre a permanência.
E assim permanecendo me negaria tantas vidas.
É como se o definitivo já cheirasse à morte, e dela quizese escapar.
Me retirando sem
precontinuo perseguindo
ser tantas quantas
nenhuma



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