1 de diciembre de 2009

NOTICIAS DE RECIFE de Albano Pepe



Caro mio,






Este diáologo diário me auxilia neste trânsito em que estou. Estrangeiro aqui, estrangeiro ali, me restam os sinais de fumaças que meus amigos remetem, cada um de sua taba, da sua comunidade. Você assim como eu é um nômade, e os nômades sentem profundamente seus deslocamentos, seus devires, sejam geográficos ou não. Mesmo nômades nossos rizomas estão fincados em algum lugar ( só que no nosso caso não sabemos do lugar originário, apenas pressentimos). Nossa existência (minha e sua) está condenada a devires sempre em direção ao Caos, ao sem-sentido. Não temos projetos, senão aqueles que se instituem em um hoje como se fora um sempre. Sem passado e sem futuro estamos presos a um presente que se eterniza numa infinitude que antevê a morte, um sem-sentido no nosso sem-sentido. Se quisermos dar sentido às nossa existenciais, temos que fazê-lo na força de explosão de um corpo celeste (um astro, um sol), que por ter luz própria está condenado a explodir ou a implodir (vide big bang) para morrer nascendo, para nascer morrendo. Portanto, afora metafísicas somos, estamos provisoriamente onde quer que estejamos.Ser pobre ou ser rico é uma gramática capitalista, temos o que temos e fazemos o que fazemos (viagens, carros, etc) não representam para nós poder aquisitivo, tão somente lugares desejados, alcançáveis ou não. Nunca acumulamos pois desde sempre sabiamos das nossa finitudes atemporias.

É estou dizendo atemporais, vivemos o mundo sublunar com olhar cósmico assim como fizeram os filósofos pré-socráticos. Nossa condenação é sisífica, um rito inútil de um ir e vir sem sair do lugar. Talvez por isso, desconheçamos a decadência de nossos corpos, a decadência natural do envelhecimento.
Talvez por isso eu tenha "criado" o meu "caminho do elefante", da lucidez diante do fim neste plano terreno e da necessidade de me re-conhecer, de fazer o resto da caminhada às apalpadelas, levado pelas intuições que guardo na memória (esquecimento-lembrança).Nada dizem sobre mim visto que não sou uma lenda (como és porque assim o permitiste). Nem tantas mulheres, nem tanto dinheiro, que nunca tivemos, salvo aquilo que narram sobre as figuras legendárias, o que não sou, não fui e nem serei.
Tens, querido amigo, uma lenda a administrar, um dificil desiderato. Neste sentido pouco posso te dizer, pois esta é tua fortuna, tua condição waratiana. Espero que tua analista tenha a sensibilidade de perceber para além da imagem que, às vezes, é tão dificil para ti.Meu velho pescador está recuperando-se e eu, rezo aos deuses naturais por ele, por todos nós.
Te aguardo.
Ciao

Albano

Em 01/12/2009 09:28,

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