2 de diciembre de 2009

Cronicas de mi alma en recife por Albano Pepe



Caminho por ruas estreitas de paralelepípedos margeadas ora por antigas edificações que compõem o casario, ora pelas águas do rio Capibaribe. Atravesso pontes que unem ilhas tantas sem buscar rastros deixados, tão somente caminho. No ar o cheiro acre que vem da maré e dos manguezais que florescem na lama, verdadeiro berçário de um ecossistema rico em sua flora e fauna, lembrando os botos que faziam do rio seu habitat lúdico, com aparições e mergulhos que chamavam a atenção dos transeuntes, que debruçados nos parapeitos das pontes encantavam-se com o espetáculo.

Da janela da antiga Prefeitura, na rua da Aurora onde todas as auroras aconteciam, um jovem, afastado da prancheta de desenho, contemplava esta cena diariamente, assim o passado se faz presente como se nunca fora passado.Entre pontes alcanço a rua da Saudade, a rua da Imperatriz, a rua Nova.

Uma cartografia que existe desde sempre abre-se à minha frente, recuperando da memória o esquecido, transmutado mimeticamente em lembranças inscritas em algum lugar de identidades subterrâneas, tal como os caminhos recônditos dos mosteiros que serviam de refúgios e de pontos de fuga no Recife medieval. O passado ilumina o presente em um movimento único que nega a fragilidade do tempo linear através das vozes desta cidade.

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