23 de septiembre de 2009

Diálogos cruzados entre Albano Pepe y Warat

Tenho observado uma frondosa árvore que existe em minha casa. Tenho acompanhado as mudanças que ocorrem em seu corpo com a passagem das estações. Por um período de seus galhos secos começam a surgir pequenas folhas de um verde suave, que ainda não são vistas por quem a olha de passagem. Logo estará coberta de uma folhagem que a revestirá, deixando apenas seu longo tronco coberto de cascas que caem aos poucos e que assim possibilita o crescimento de uma nova casca. As folhas verdes ficarão cinza e num outro momento cairão levadas pelo vento que as espalhará. Duas casas de João de barro estão plantadas em galhos frondosos. Os pássaros a visitam sempre do alvorecer ao anoitecer e, alguns, como o João de barro nela dormem abrigados das intempéries. A batida seca em seu tronco denuncia a presença de pica-paus que procuram alimento em seu corpo habitado por um ecossistema não visível aos olhos incautos, ali estão pequenas larvas, cupins, formigas e alguns fungos. A população de pássaros que por ela passa deixa claro que dispõe de alimentos e de guarida para todos que a reverenciam com seus trinados e seus graciosos pousos. Quando a tormenta cresce, a árvore curva-se ante a força do vento, da chuva e do granizo, como que a cumprimentar sua passagem.
“Olha, está chovendo na roseira ... ah você é de ninguém” dizia o maestro Jobim. Poucas palavras, quanto ao sentido, sinceramente pra que sentido se podemos viver profundamente as poucas palavras que balbuciamos.

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