12 de agosto de 2009

Armas escondidas

Tinha a natureza de um cavalo indócil.


Ela que nunca presenciou suas explosões, pressentia sua natureza violenta. Ele não sabia, mas toda vez que um ponto sensível era tocado, seu rosto se transformava de forma sutil, denunciando seus ódios. Possuía um daqueles ódios afiados, que rasgam.
Sempre havia o risco de ser atingida, ela sabia.
A violência era clara, mas de uma forma estranha isso não a perturbava. Ela que sempre foi de uma natureza ácida, de um jeito que não compreendia, nesse encontro, era tocada no seu mais doce.
Ele podia, sem saber, criar níveis altíssimos de tensão, e mesmo assim ela sorria, imperturbável.
Caminhava com ele na linha do medo, mas não caia. E ficava mais calma e doce toda vez que ele lhe dizia. Mas não tão doce a ponto de ser atingida. Não tão doce.
Circulava em sua volta, como quem caminha de véu, no escuro da noite, de olhos abertos.
Talvez porque dentro dela guardava, em silêncio, a mesma violência, que nele escapava. E com essa violência, ao longo dos dias, havia levantado muros altos em sua volta.
Talvez não fosse verdade, talvez tenham sido forjados na mesma dor. E por isso não temia aquela violência antiga, que reconhecia. Essa calma estranha, de estar de frente, sem medo por não precisar. Por não precisarem um do outro, existiam.
A natureza dele se agitava sempre que algo ameaçava tocar, sabia.
A distância segura desdobrava os dias. E calma, mantinha as unhas afiadas. Desmontou os muros, mas nunca se livraria das garras que eram suas armas escondidas. Como um urso, doce.


Extraído del blog de Andrea Beheregaray
http://wunschelrute.blogspot.com/

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