24 de enero de 2011

Entre poesias e direitos





Foi publicado em 2007 o livro "Poemas de Guantánamo: os prisioneiros falam", que reune 22 poemas de 17 prisioneiros de Guantánamo. Poesias fortes que servem para pensar o paradoxo que está imerso o discurso de direitos...



Eduardo Rocha (Casa Warat Goiás)





Poema da Morte











Jumah al Dossari*






Tome meu sangue
Tome minha mortalha e
Os restos de meu corpo.
Tire fotografias de meu cadáver no túmulo,
solitário.
Mostre-os ao mundo,
Aos juízes e
Às pessoas de consciência,
Mostre-os aos homens de princípio e os
justos
E deixe-os sentir o peso da culpa diante
do mundo,
Dessa alma inocente.
Deixe-os sentir o peso diante de suas
crianças e diante da história
Desta alma estragada, sem pecados,
Desta alma que sofreu nas mãos
dos 'protetores da paz'.




*Jumah al Dossari, é um prisioneiro de 33 anos do Bahrain, que está em Guantánamo há mais de cinco – desde 2003 em regime solitário. Autoridades americanas dizem que ele já tentou o suicídio 12 vezes desde que foi preso






É VERDADE?









Por Usama Abu Kabir










Depois da chuva, voltou a crescer a erva?





Voltarão as flores a levantar-se na Primavera?





É verdade que os pássaros regressarão a casa?





E o salmão voltará a subir contra a corrente?





É verdade. Isto é verdade. E são verdadeiros milagres.





Mas é verdade que um dia deixaremos a Baía de Guantánamo?





É verdade que nesse dia voltaremos a casa?





Sonhando com a minha casa, em sonhos faço-me ao mar.





Para estar com os meus filhos, cada um é parte de mim;





para estar com a minha mulher e com aqueles que amo;





para estar com os meus pais, os corações mais ternos do mundo.





Sonho que estou em casa, livre desta jaula.

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