28 de noviembre de 2009

Albano y el mar




O Velho Pescador

O Velho Pescador

27/11/09
Estou diante do oceano Atlântico, cercado pelos seus mistérios e pelos seus habitantes nativos. Ao largo vejo jangadas ensaiando balés ao atravessarem as ondas que movem este horizonte. Na beira da praia, outros pescadores preparam suas rêdes para atividade diária: retirar do mar seu sustento, a manutenção de sua família e da sua comunidade.
Nasci neste litoral e cresci tendo como paisagem de fundo as imagens que relato. Aprendi com meu pai os ritos da pescaria, no mar aberto, nos arrecifes, na beira mar. Aprendi desde criança a observar sua paciência no cumprimento dos movimentos que antecedem a caminhada para o mar, assim como o manejo da vara de pescar, da preparação dos anzóis, da escolha das iscas, dos pontos adequados para lançar as linhas no mar. Aprendi o jogo de paciência com o olhar voltado para o infinito azul das águas que confudiam-se com o azul celeste do céu. Aprendi o silêncio que se instalava ao longo do dia, acompanhado dos lançamentos e das retiradas das linhas, ora para reabastecer os anzóis, ora para retirar o peixe fisgado. Era um silêncio alegre e compartilhado por nós.
Aprendi que meu pai é um pescador, paciente e tranquilo a cada movimento, com peixes ou sem peixes em cada dia que se acabava com cair da tarde. Um pescador que sempre traz consigo a alegria do convívio com o mar, com a natureza, sem frustações e sem exaltações pelos resultados obtidos. Aprendi que o princípio era conviver com o silêncio, com a quietude, com os pés molhados pelas águas salgadas e o corpo tomado pela imensidão. Pescar era e é a forma de alcançarmos nossas águas abissais, nossos corpos tantas vezes esquecidos e que nestes momentos tornam-se íntimos daqueles momentos.
O Pescador está agora mais uma vez sozinho, olhando para a imensidão que é sua vida. Olhando para o abissal, sabendo de sí, silentemente, para, assim que terminar mais uma pescaria voltar para casa, para sua morada, onde todos nós o esperamos amorosamente.
Volte logo Pescador, volte em breve, não importa os peixes pescados ou não, visto que sabes pescar humildemente os momentos da tua existência.
Te amamos.

Albano Pepe





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