5 de junio de 2009

Trovadores e repentistas


Warat,

Se tu és baiano e eu pernambucano, como nordestinos-repentistas que somos, aceito o convite-desafio como assim o faziam e fazem os trovadores-repentistas espalhados nas feiras livres do nordeste. Eles buscam entre os passantes um mote e os convidam a escutar seus versos de improviso, que desde sempre narram uma saga embalada ao som das violas. E, tal repentista-trovador medieval, te apresento meu primeiro desafio, minha primeira narrativa:


Há algum tempo atrás, na cidade de Dois Irmãos, encontrei em minhas erranças um dragão enroscado em um tronco de árvore; capturei-o como se deixam capturar os dragões: amorosamente, e levei-o para minha morada. Capturador-capturado então por uma paixão avassaladora por uma jovem donzela e, saudoso das palavras do menestrel Warat sobre os dragões que guardamos, todos nós, em nossos eternos calabouços (a quem os psicoanalistas denominam de inconsciente), avancei noite adentro tecendo palavras com linhas de costura imagéticas, na busca de sentido a tais imagens que esta alquimia me proporcionava.
E, para arrematar, escutei-li do Goethe algo que tem me acompanhado desde sempre e que ele denomina de "Cosecha del vagar", a quem eu peço que te recite:



Ciao
Albano

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