12 de mayo de 2009

También está generando gran expectativa para la semana el Café filosófico Kafkiano




CAFÉ FILOSÓFICO KAFKIANO

Filosofia & Literatura Teatralizadas


PROJETO: Kafka – contos de fadas para cabeças dialéticas

Os cafés filosóficos permitem uma modalidade de diálogo comunitário, tendo ressurgido em Paris nos anos 1990 e vêm desde então assumindo uma interessante consistência, como uma espécie de miniatura das universidades populares ou abertas, tal como a que atualmente mantém, com muito êxito popular, o francês Michell Onfray, na cidade de Caen.

Esses cafés funcionam geralmente em cafés que já existem, onde os proprietários cedem o espaço em troca do consumo do que é oferecido no cardápio. Alguns funcionam regularmente no mesmo café, outros vão trocando de lugares. Os temas a serem discutidos são escolhidos algumas horas antes do começo dos encontros, que durão mais ou menos duas horas. Outros preferem pactuar antecipadamente, e anunciar com antecedência, o tema a ser animado. É recomendável respeitar as preferências de cada grupo de participantes, mesmo nesse caso.

Geralmente o condutor dos debates é chamado “animador” e um mesmo grupo pode ter alguns membros co-animadores que circulam pelos diferentes locais, quando forem muitas as mesas ocupadas. Os animadores não precisam ser – e, talvez, é até melhor que não sejam - especialista em filosofia nem ser reconhecido como autoridade em alguns conhecimentos e verdades.
Os cafés são abertos a qualquer pessoa, havendo muito poucas restrições e requisitos, pois somente se requer ser sensível ou ter o desejo de recuperar sua sensibilidade e, mesmo, sua animalidade. Para tanto, será válido o que o grupo proponha como possibilidade de redescoberta de seu corpo, de sua sensibilidade ou de resolução existencial; modos e formas de crescimento em comunidade, de diálogo. O método de animação é muito simples, bastando deixar que cada um expresse-se à luz de seus próprios pensamentos e sentimentos, sem censuras, dispensando as imposições, as verdades dos outros, para não admitir que uma autoridade exterior se imponha e intente manipular nosso interior. Unicamente o consentimento íntimo de cada um consigo mesmo terá valor.
O único que se impõe é cada um si mesmo, e o desprezo daqueles que participem apostando nas univocidades de pensamentos. A universidade de idéias, como império do pensamento único, deixa lugar para a “multiversidade”, a pluralidade de vozes que intentam conviver sem destoar demasiadamente. Eis o lugar onde todos terminam aprendendo que filosofar é aprender a escutar.O papel do animador, portanto, não é dar uma palestra ou um curso, ainda que o grupo pode optar por realizar algum tipo de modalidade que o permita, de acordo com o tema ou presença de algum participantes especialmente convidados. Porém, mesmo esses convidados, que desde o lugar da animação, proporcione uma informação preliminar que o grupo desconhece, também nunca será fornecida de modo igual ao que se dá em aulas universitárias, pois o clima dialógico e carnavalizado fará toda a diferença. O animador de qualquer das modalidades dialógicas deve ter claro que ele está lá para permitir a prática do exercício da liberdade, ajudando a provar que filosofia é vida, e que a filosofia da vida não pode estar incrustada no mundo das fantasias idealistas, das idéias sem sangue, sem romances autobiográficos.



A presente proposta é de abordar textos da obra de Franz Kafka, de grande conteúdo filosófico, através do jogo de leituras dramáticas. O austríaco Thomas Bernhard disse certa feita: "Quando se abre um dos meus livros, acontece o seguinte: é preciso imaginar que se está no teatro". Seria possível dizer a mesma coisa de qualquer livro, de qualquer autor. Todo romance encena um tipo de teatro. Kafka, Beckett e Thomas Bernhard, entretanto, fazem desse elemento da representação literária uma evidência incontornável para o leitor. Do que se trata, nas obras deles, sempre, é de uma representação da representação. Na presente proposta, porém, não objetivamos uma encenação, mas sim, buscar extrair dos textos sua carga dramática através da palavra, fazendo viver, de maneira coletiva e no próprio corpo, idéias abstratas lançadas no papel, ao estabelecer um confronto filosófico e dramático com o intrigante e instigante universo do Autor em questão, mostrando sua convergência com o nosso, atual, tanto no plano individual como no coletivo – local e universal.

Dentre os textos da obra fragmentária obra kafkaniana, a opção feita é por alguns dentre os textos-curtos, breves narrativas, Erzählungen, muitas vezes contando com apenas um pequeno parágrafo, de grande densidade cognitiva, tanto que o consagrado filósofo e crítico literário, Walter Benjanim, um dos primeiros a reconhecer o valor dessa obra, os denominou de “contos de fada” (Märchen) para cabeças dialéticas (cf."Franz Kafka. A propósito do décimo aniversário de sua morte", in: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Walter Benjamin, Obras escolhidas, vol. 1, trad.: Sérgio Paulo Rouanet, São Paulo: Brasiliense, 1996, pp.137-164). E nesse mesmo texto, publicado por ocasião da primeira década de falecimento de Kafka, Benjamin anota que toda sua obra “representa um código de gestos, cuja significação não é de modo algum evidente, desde o início, para o próprio autor; eles só recebem essa significação depois de inúmeras tentativas e experiências, em contextos múltiplos. O teatro é o lugar dessas experiências”. É que Kafka percebeu o quanto padecíamos – e padecemos ainda, cada vez mais - da alienação do próprio corpo, por força das idéias, em que tendemos cada vez mais a nos tornarmos, deixando de ser reais.

Através do trabalho com esses textos, pretende-se facilitar, por meio de sua vivência pela dramaturgia, uma percepção mais aguçada de questões fundamentais da atualidade, ao fomentar o conhecimento da filosofia, literatura e teatro como também no enfrentamento das condições de vida atual, com sua complexidade e caráter desumanizante, a requerer uma resensibilização, pelo contato com obras, “em ato”, de grande valor estético e gnosiológico, das quais muito nos escapa, quando lidas individual e silenciosamente.

No que diz respeito ao trabalho propriamente dito, tem-se que, inicialmente, será feita uma explanação geral sobre o Autor, sua vida, obra, feitos e efeitos, enquanto ao iniciar o trabalho com cada um dos textos ele será situado no contexto da obra e época histórica, tanto geral como pessoal, do autor. Ao final de cada sessão, será proposta uma reflexão e expressão do grupo sobre os pensamentos mobilizados, isto é, literalmente, incorporados, pela encenação do texto, sua vivência, o que pode melhor revelar a vivência do autor quando o escreveu, vivência que os antigos já consideravam o requisito mesmo para filosofar: primum vivere, deinde filosofare (“primeiro viver, depois filosofar”). Nesse momento, os participantes iriam para as mesas do café, já devidamente mobilizados e aquecidos para trocarem impressões e conclusões.


Dinâmica aplicada (3 hs):

- aquecimento vocal e físico: disponibilizar o corpo e mente para o trabalho (10 min);
- escolha do texto: primeira leitura dos textos previstos, com sugestões sobre o “lugar” que ocupariam na visão de mundo do autor (20 min);
- jogo de leitura dramática: leitura dramática dirigida, onde a interpretação teatral será explorada (1 h);
- café filosófico: discussão das conclusões descobertas com o trabalho (1h30 min).



Proposta especial para a FLIP/2009:

Além dos cafés filosóficos a serem ofertados, com base na proposta aqui esboçada, uma proposta especial para a FLIP seria a de realizar um trabalho para um número indefinido de interessados, que atendessem ao chamado feito em cartazes espalhados pela cidade de Paraty e adjacências, com os mesmos dizeres daqueles que constam do fragmento “O Teatro Livre de Oklahama”, pertencente ao (primeiro) romance de Kafka, “América” ou “O Desaparecido”, convidando todos os interessados a participarem do Teatro, independentemente de serem ou não artistas, para contratação com base na ocupação e profissão que já exerçam. Daí, para realizar o trabalho nessas proporções, seria necessário um espaço aberto de dimensões compatíveis. Aqui se faz necessário algum investimento na compra de adereços, o que poderia se buscar obter junto a restaurante, pousada e/ou estabelecimento comercial de Paraty que tivesse interesse em ter sua marca vinculada (e divulgada) pelo evento.



João Ribeiro, O Grande Teatro ao Ar Livre de Oklahama






Proponentes:

Luis Alberto Warat, filósofo e animador cultural, com experiência de quarenta e cinco anos no ensino superior, tanto no Brasil como na Argentina, seu país de origem

Willis Guerra, filósofo e jurista, com experiência de vinte e cinco anos no ensino superior (atualmente, Professor Titular do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e convidado nos cursos de Mestrado e Doutorado em Filosofia do Direito da PUC-SP)

Fabianna Serroni, atriz formada pela PUC-SP, com vasta experiência em direção de atores (atualmente, pela segunda vez, atuando junto ao Grupo de Teatro Oficina, fundado por José Celso Martinez Correia)

Dados:

Luis Alberto Warat

Blog: http://luisalbertowarat.blogspot.com/









Canal de TV. Arte e Direito.: http://arteedireito.tv/


E-mails: centrodeestudoslaw@yahoo.com.br & lawarte@gmail.com

Contatos:

willisguerra@hotmail.com & fabiana.serroni@gmail.com

Celulares: (11) 7676.1211 – Willis & (11) 8952.1962 - Fabianna



“Today, at the racetrack in Clayton, from six o’clock in the morning until midnight, staff will be hired for the Theater in Oklahama! The great Theater of Oklahama calls you! It’s only calling today, only once! Whoever misses the chance now, misses it forever! Whoever thinks towards the future, listen to us! Everyone is welcome! Anyone who wants to be an artist, report! Our theater needs everyone, everyone in his place! Anyone who chooses us, we congratulate him right here! But hurry, all of you, because you’ll only be let in up to midnight! Everything will close at twelve and never open again! Damn those who don’t believe in us! On to Clayton!”




Jacques Derrida, filósofo franco-algeriano, ao receber em 2001 o Prêmio Adorno da Cidade de Frankfurt: “(...) escolhi essa passagem de Minima Moralia (obra de Adorno) para prestar, hoje, uma homenagem de reconhecimento àqueles que instituíram o Prêmio Adorno respeitando-lhe um certo espírito. Como sempre em Adorno, e eis sua mais bela herança, esse fragmento teatral faz comparecer a filosofia num único ato, numa única cena, diante da instância de todos os seus outros. A filosofia deve responder perante o sonho, a música - representada por Schubert - , a poesia, o teatro, e perante a literatura, aqui representada por Kafka: “Quando se acorda no meio de um sonho, mesmo do pior pesadelo, fica-se decepcionado e tem-se a impressão de ter perdido a melhor parte. Mas, na realidade, os sonhos felizes, plenos, são tão raros quanto é, segundo Schubert, a música alegre. Mesmo o sonho mais belo carrega algo como uma mancha (wie ein Makel), sua diferença em relação à realidade, a consciência de nos oferecer apenas simples ilusões. Eis porque os sonhos mais belos têm algo como uma rachadura (wie beschädigt). Tal experiência está registrada de maneira inigualável na descrição do teatro ao ar livre de Oklahoma, em A América, de Kafka.”


























AMERIKA By Franz Kafka.






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